Este Blog no Mundo

Sala de Batpapo evangelica AMIGOS DE DEUS.

***ATENÇÃO***ATENÇÃO***ATENÇÃO***

Este Blog não hospeda nenhum arquivo, apenas indexa links encontrados na internet, devem ser feitos download somente para teste, devendo o usuário apagá-lo ou compra-los após 24horas. não me respossabilizo por qualquer dano ou prejuizo causado por alguma coisa postada aqui. se algo contido no Blog é de sua propriedade ou lhe causa algum dano ou prejuizo, entre em contato pelo e-mail judsonbritopregações@gmail.com que iremos retirar o conteúdo do Blog o mais rápido possível.



Escola Bíblica Dominical Lição 04 22/04/2012

LIÇÃO 04 - ESMIRNA, A IGREJA CONFESSANTE E MÁRTIR


INTRODUÇÃO

Nesta lição, obteremos informações históricas a respeito de uma das sete cidades da Ásia - Esmirna.

Analisaremos o significado do seu nome, sua localização, população e religião. Veremos ainda como o evangelho chegou a ela, qual o principal pastor que apascentava aquela igreja e o seu perfil espiritual aos olhos de Cristo. Por fim, destacaremos pormenorizadamente as exortações feitas aos cristãos provados daquela igreja, quanto aos sofrimentos que ainda estavam por vir e a recompensa que Cristo lhe prometeu se permanecessem fiéis até a morte.

I - CONTEXTO HISTÓRICO DA CIDADE

É necessário destacar aqui algumas informações à respeito da cidade de Esmirna, a fim de compreendermos melhor a mensagem de Cristo a ela dirigida. Vejamos algumas:

1.1 Nome: O nome “Esmirna” significa “mirra”, uma substância amarga, porém, extremamente odorífera, usada como perfume e muitas vezes para unção de cadáveres para propósitos aromáticos. Atualmente ela é chamada Izmir. Esta cidade desenvolveu-se até tornar-se uma das mais prósperas cidades da Ásia Menor, ao ponto de ser chamada de Coroa da Ásia. Sob o domínio do Império Romano era famosa por seu esplendor e pela magnificência de seus edifícios públicos, e era um centro de ciência e medicina;

1.2 Localização: Esmirna é uma cidade da província romana da Ásia, e está a 80 km ao noroeste de Éfeso, na praia do mar Egeu, dentro da atual Turquia Asiática;

1.3 População: No tempo que o apóstolo João escreveu esta carta, a cidade de Esmirna contava com uma população de duzentos e cinqüenta mil habitantes, aproximadamente;

1.4 Religião: A idolatria estava presente na cultura da cidade, pois havia um rio chamado Meles, que era adorado em Esmirna. E, como colônia de Roma, praticava-se ali o culto ao imperador.

II - COMO ERA A IGREJA DE ESMIRNA

Conforme podemos entender do segundo tratado de Lucas, o médico amado, o evangelho provavelmente chegou a Esmirna quando Paulo vinha de Éfeso: “E durou isto por espaço de dois anos; de tal maneira que todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, assim judeus como gregos” (At 19.10). Portanto, Esrmina é uma das sete igrejas da Ásia, a quem Jesus Cristo enviou uma carta por intermédio do apóstolo João a fim de transmitir-lhe uma mensagem específica (Ap 1.4,11). Quando João escreveu a igreja de Esmirna, Jesus revelou-lhe o seu estado. Vejamos o que ele disse:

2.1 O remetente. Antes de tecer comentários sobre a igreja que estava em Esmirna, Jesus Cristo, o remetente da carta, se revela de uma forma bem especial, dizendo: “E ao anjo da igreja que está em Esmirna, escreve: Isto diz o primeiro e o último, que foi morto, e reviveu” (Ap 2.8). O Mestre mostra para a sua igreja que como Deus, Ele é Eterno (o primeiro e o último) e, como homem, é imortal: (foi morto, e reviveu);

2.2 “Ao anjo da igreja”. Provavelmente o anjo, ou seja, o pastor desta igreja pode estar indicando uma referência a pessoa de Policarpo; esse pastor nasceu em (69 d.C.), e morreu em (155 d.C.). Segundo registros históricos, ele foi discípulo do Apóstolo João, homem muito consagrado e o “principal pastor” da igreja de Esmirna durante o exílio de João em Patmos. Ele foi martirizado ao ser levado perante o governador e instado a negar a sua fé e o nome de Jesus, mas ele respondeu: “oitenta e seis anos o servi, e somente bens recebi durante todo tempo. Como poderia agora negar ao meu Senhor e Salvador?” (HURLBUT, p. 65). Policarpo foi queimado vivo;

2.3 “Eu sei”. Embora João, o escritor da carta, não estivesse presente no dia a dia da igreja, o Senhor estava. Pois ele identifica-se, como “aquele que anda no meio dos sete castiçais de ouro” (Ap 2.2), como ele mesmo prometeu (Mt 18.20), por isso para todas as sete igrejas da Ásia ele diz: “Eu sei“. Ele começou a relatar o perfil da Igreja, pois Ele é onisciente (tem todo conhecimento);

2.4 “As tuas obras”. A expressão “obra” do grego “ergon” significa: trabalho, ação, ato. É extremamente importante ressaltar que o cristão não é salvo pelas obras (Ef 2.8,9), no entanto é salvo para as obras (Ef 2.10). O apóstolo Paulo ensinou que somos justificados pela fé (Rm 5.1), porém Tiago também ensinou que a fé sem obras é morta (Tg 2.17).

Sem dúvida alguma, não existe contradição em ambas as declarações. Muito pelo contrário, elas se completam perfeitamente. Afinal de contas, um verdadeiro cristão que crê no Senhor Jesus Cristo, demonstra sua verdadeira fé com obras. Tal qual Abraão que primeiro creu e isso lhe foi creditado como justiça (Gl 3.6), mas que aperfeiçoou a sua fé quando obedeceu à voz de divina (Tg 2.22-24);

2.5 “E tribulação”. No grego, o termo tribulação, é “thlipsis” que significa “pressão”, derivado de “thlibo“, que tem o sentido geral de “pressionar”, “afligir”. Jesus não era insensível as perseguições que os cristãos daquela igreja estavam enfrentando, tanto externas (por meio dos romanos), quanto internas (pelos que se diziam judeus). Tal como a mirra, que como vimos tem sabor amargo, porém é cheirosa. Os crentes de Esmirna estavam experimentando a amargura da tribulação (Ap 2.9), todavia, seu testemunho era como um bom perfume que exalava às narinas de Deus (Ap 2.10);

Afinal de contas o sofrimento na vida cristã testa a qualidade da nossa fé como o ouro que o fogo prova: “Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo” (I Pe 1.7);

2.6 “E pobreza, mas tu és rico”. Os crentes de Esmirna eram pobres, não por falta de trabalho, mas devido às perseguições que sofriam. Suas propriedades e bens foram confiscados pelo poderio romano, e além de tudo, esses servos de Deus, ainda sofriam encarceramento, por se oporem ao paganismo presente na cidade. No entanto, está declarado na confissão de Cristo, que eles eram ricos. Podemos nos perguntar: em que? Nas riquezas espirituais. Eles eram de fato ricos: nas obras, na fé, na oração, no amor não fingido, na leitura da Palavra de Deus. Estas coisas diante de Deus se constituem do ponto de vista do cristianismo as riquezas da alma (Mt 6.20; 1Tm 6.17-19).

III - EXORTAÇÕES E PROMESSAS FINAIS

Podemos perceber nas palavras dirigidas por Jesus a igreja de Esmirna que ela, tanto como a igreja de Filadélfia não recebeu nenhuma reprovação. No entanto, mesmo sendo elogiada, foi exortada a manter-se fiel (Ap 2.10). Por fim, Cristo lhe faz promessas consoladoras a fim de recompensar aos que vencerem (Ap 2.10,11). Vejamo-nas detalhadamente:

3.1 Cristo prevê que um sofrimento maior estava por vir. Podemos perceber claramente na declaração de Cristo que apesar da igreja estar sofrendo no presente: “eu sei a tua tribulação“, estaria também enfrentando um sofrimento futuro, no entanto, foi estimulada a não temer: “Nada temas das coisas que hás de padecer” (Ap 2.10). Na verdade, Jesus nunca prometeu uma vida isenta de dores e provações aos seus discípulos (Jo 16.33), muito pelo contrário, sempre advertiu que os que seguissem deveriam levar a cruz (Mt 16.24). Porém, Ele prometeu estar conosco em todo tempo: “e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28.20-b);

3.2 Cristo prevê qual seria o tipo de sofrimento. O texto nos fornece a informação de quem estava por trás da perseguição e qual seria o sofrimento experimentado pelos cristãos de Esmirna: “Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2.10). As perseguições promovidas pelos romanos àquela igreja, com a ajuda dos judeus (os que se dizem), foram obras de Satanás. Sob alegação de que os cristãos de Esmirna estavam “traindo” o imperador, houve um encarceramento em massa, e a seguir o imperador ordenou o martírio de muitos daqueles. Segundo historiadores, em uma só catacumba de Roma foram encontrados os remanescentes ósseos de cento e setenta e quatro mil cristãos, aproximadamente;

3.3 Cristo prometeu galardoar os vencedores. Todo o sofrimento e provação que aqueles fiéis seguidores de Cristo, estavam enfrentando, segundo o próprio Jesus, teriam uma recompensa: “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2.10). Assim como Cristo usou a coroa de espinhos (Mt 27.29) e depois a coroa de glória (Hb 2.9).

Semelhantemente, os cristãos passariam pelo sofrimento para depois receberem dele a coroa, prometida a todos aos que o amam (Tg 1.12). Esta esperança também ardia no coração do apóstolo Paulo (II Tm 4.8). A expressão “coroa” do grego “sthepanos” diz respeito a um prêmio ou recompensa dado como símbolo de triunfo nos jogos ou competições. A Escritura denomina esta recompensa de coroa da vida (Ap 2.9); coroa da justiça (II Tm 4.8); coroa de glória (I Pe 5.4). Por isso, os cristãos foram incentivados a resistirem o pecado até a morte, cientes de que, o verdadeiro prejuízo não era a morte física, mas a espiritual, da qual eles já estavam livres, pelo sacrifício de Cristo: “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida”. (Jo 5.24).

CONCLUSÃO

Como pudemos ver, a cidade de Esmirna desfrutava de uma grande prosperidade material; no entanto a igreja de Cristo naquele lugar, por se opor as práticas pagãs, sofria: pobreza, perseguição e até morte. Isto fez com que Jesus lhes enviasse uma pequena carta, a menor em comparação com as outras, porém, grande em conteúdo, pois confortava aqueles cristãos que, apesar de pobres, eram ricos; mesmo perseguidos deveriam permanecer fiéis; e ainda que morressem, morreriam apenas fisicamente, pois seriam vencedores dignos da coroa da vida (Ap 2.11). Que possamos ter estes cristãos como um exemplo de que, mesmo passando por grandes sofrimentos, por amor a Cristo, devemos permanecer firmes e inabaláveis, imitando a perseverança do nosso Senhor, que pelo gozo que lhe estava proposto tudo suportou (Hb 12.2).







I – INTRODUÇÃO:

• Não há uma só passagem no N.T. que prometa uma vida isenta de sofrimentos. Aliás, como é notório, sem cruz não há coroa. No entanto, o que Deus garante à Igreja de Esmirna é que, mesmo que venha morrer no sentido físico, jamais sofrerá o dano da segunda morte. Portanto, a mensagem é que os crentes de Esmirna não devem ser medrosos, mas fiéis. Não devem olhar para o sofrimento, mas para Deus, que tudo tem sob controle - Rm 8.18.

II – ESMIRNA – A IGREJA PERSEGUIDA:

• Mt 24:9; Jo 15:18-19; II Tm 3:1, 12 – A Palavra de Deus já avisava sobre perseguições. Esmirna, a segunda Igreja a receber a carta de Cristo, sabia disto. Ela representa os cristãos perseguidos em todos os tempos e cenários culturais - Apc 2:8-11:

• (1) O CENÁRIO - Nos dias desta Igreja, César era como um Deus para o povo. À sua imagem eram queimados incensos. Anualmente, todos eram convocados a jurar fidelidade ao Imperador. O que se recusasse a fazê-lo, era preso e executado ao fio da espada.

• Vejamos os deuses que eram abertamente adorados em Esmirna:

• (A) - CIBELE (conhecida como “Grande Mãe”, era a deusa da fertilidade);

• (B) - APOLO (deus das profecias, da medicina e da música; também associado ao pastoreio e ao sol. Na época clássica, o sol era, por vezes, chamado de “carro de Apolo” e, talvez, por isso, ele tenha sido considerado também o deus da luz e da juventude);

• (C) - ASCLÉPIO (deus solar e da saúde que, com o nome latinizado de Eusculápio, era o deus romano da medicina e da cura);

• (D) - AFRODITE ou VÊNUS (deusa do amor sexual e da beleza, na mitologia greco-romana); e

• (E) - ZEUS ou JÚPITER (deus do céu, controlador dos corpos celestes).

• Em Esmirna não era fácil ser cristão. Muitos eram perseguidos e mortos por sua fé. Ser chamado cristão era sobremodo perigoso.

• Mas, nesta perversa cidade, havia um pequeno rebanho de Cristo. Arrancados a esse sistema diabólico, fizeram-se Igreja de Deus.

• (2) - O SOFRIMENTO DA IGREJA DE ESMIRNA - Jesus conforta Sua Igreja, que, perseguida e pura, não necessita de correção, mas de encorajamento. Diz-lhe o Senhor:

• (2.1) – “EU SEI AS TUAS… E TRIBULAÇÃO…” - A palavra TRIBULAÇÃO é muito radical. Literalmente significa:

• (A) - ESMAGAR UM OBJETO, COMPRIMINDO-O;

• (B) - DESCREVE A VÍTIMA SENDO ESMAGADA E SEU SANGUE EXTRAÍDO;

• (C) - DESCREVE PESSOAS ESMAGADAS ATÉ A MORTE POR UMA ENORME PEDRA;

• (D) - TAMBÉM DESCREVE A DOR DE UMA MULHER AO DAR FILHOS À LUZ.

• Jesus sabe exatamente o que está se passando. É como se Ele estivesse dizendo:

• - “Já passei por isto: Fui falsamente acusado, fui molestado, cuspido, açoitado, escarnecido… sei o que é morrer de maneira injusta”.

• (3) - Então, Jesus fala sobre CINCO DIFERENTES NÍVEIS DE PERSEGUIÇÕES SOFRIDAS PELA IGREJA DE ESMIRNA:

• GOVERNAMENTAL;

• ECONÔMICA;

• RELIGIOSA;

• FÍSICA; e

• SATÂNICA.

• Vejamos cada uma delas, separadamente:

• (3.1) - PERSEGUIÇÃO GOVERNAMENTAL - Esmirna sofria sob a tirania de Roma. Os crentes eram dolorosamente esmagados sob as rígidas cláusulas da Lei Romana: Eram arrancados de suas casas, capturados nas feiras livres e levados cativos. César jogava toda a força de seu poderoso império sobre esta pequena Igreja. E muitos desses santos já haviam selado seus testemunhos com o próprio sangue.

• Cada cidadão romano era obrigado a prestar, uma vez por ano, pública lealdade diante do busto de César. Para a grande maioria dos cidadãos romanos, isto não era problema. Afinal, já adoravam a vários deuses. O que era mais um?

• Mas para os cristãos, adorar a César era uma traição ao Rei dos reis. Não podiam assentir nesta idolatria. Ao invés de declarar: “CÉSAR É O SENHOR”, os primeiros cristãos bravamente confessavam: “CRISTO É O SENHOR”. Como resultado, a Igreja passou a sofrer dolorosamente.

• Tornar-se cristão significava grande renúncia. Aquele que seguisse a Cristo tinha de contabilizar o custo e estar preparado para pagá-lo até com a própria vida. A declaração do nome de Cristo já era um crime. O nome significava tortura e ser lançado às feras. No caso das donzelas, a infâmia era pior que a morte.

• A perseguição governamental ainda não cessou. Estamos perdendo a liberdade religiosa. Nossa liberdade espiritual vem sendo diariamente defraudada.

• (3.2) - PERSEGUIÇÃO ECONÔMICA - Foi Jesus quem revelou: EU SEI A TUA TRIBULAÇÃO E POBREZA.

• A palavra POBREZA denota alguém tão desprovido de bens, que nada chega a possuir. Ele não está apto a ganhar nem mesmo ninharias; acha-se à mercê de caridade humana.

• Esmirna era uma das mais prósperas cidades daqueles dias. Não havia baixas no mercado, nem recessão. Os negócios cresciam. Lá, qualquer pessoa podia prosperar.

• Mas os homens de negócios cristãos eram despedidos de seus empregos. Suas lojas, violadas e saqueadas; seus pertences, roubados. Tudo porque confessavam que Jesus Cristo é Senhor, e não César.

• Assim, a Igreja de Esmirna: Tão pobre que não podia fazer o mínimo orçamento. Não tinham nada. O motivo?

• Os teólogos da prosperidade responderiam: - “ESMIRNA ESTÁ FORA DA VONTADE DE DEUS. TUDO O QUE TÊM A FAZER É DECRETAR A BÊNÇÃO. ELES ESTÃO VIVENDO INDIGNAMENTE. DEUS OS QUER TORNAR RICOS”!

• Enfrentemos o fato: não manejamos bem a prosperidade: Basta ligarmos rádios e tvs e ouvirmos pregadores da teologia da prosperidade despejando sua descontrolada luxúria. Dizem eles: - “DEUS FARÁ DE VOCÊ UM MILIONÁRIO, SE TIVER FÉ E CONFIAR NELE!”

• Mas, deveriam os crentes de Esmirna serem repreendidos por sua pobreza? Não! AQUELES SERVOS DO SENHOR ERAM POBRES PORQUE ESTAVAM NA VONTADE DE DEUS!

• Sabemos que “properidade” é um assunto bíblico. Porém, PROSPERIDADE FINANCEIRA NÃO É VONTADE DE DEUS PARA TODOS. Por isto, é difícil ser cristão! Ser um crente fiel pode custar até mesmo a perda da prosperidade financeira.

• (3.3) – PERSEGUIÇÃO RELIGIOSA - Apc 2:9 - Em Esmirna havia uma grande comunidade judaica que hostilizava fanaticamente o Cristianismo. Tal fúria já fora demonstrada no apedrejamento de Estêvão, em Jerusalém. Cheios de ódio, os judeus tramavam agora contra os nascidos de novo. Não satisfeitos, também blasfemavam contra os crentes.

• Eles acusavam os cristãos de comerem carne humana, numa referência à Santa Ceia.

• Acusavam-nos ainda de perversões sexuais por causa do ósculo santo e da ênfase que estes davam ao amor fraternal. Consequentemente, eram acusados de incesto e orgias sexuais.

• A Igreja, segundo eles, era ateísta por não adorar a César. Era politicamente infiel. E por requerer absoluta fidelidade a Cristo, era acusada de separar as famílias.

• Mas estes acusadores eram da sinagoga de Satanás, instrumentos do demônio. Usados pelo inferno, faziam oposição ao povo e ao plano de Deus.

• Da mesma forma, a Igreja hoje pode esperar semelhante perseguição, não somente governamental, mas também dos cristãos apóstatas que não passam de sinagoga de satanás.

• Isto porque o diabo também vai à Igreja. Ele diz: - “TENHO ALGUNS PREGADORES, QUERO OUVI-LOS FALAR; TENHO ALGUNS CORAIS, QUERO OUVI-LOS CANTAR; TENHO ALGUNS DISCÍPULOS COM OS QUAIS QUERO COMPARTILHAR MEUS PLANOS”.

• Há Igrejas que não passam de redutos de Satanás: Não pregam o verdadeiro Evangelho. Negam as Escrituras. Menosprezam a ressurreição de Cristo. Promovem a licenciosidade. Abandonam a Palavra de Deus. Permitem todo tipo de perversão. Estas sinagogas de Satanás tem perseguido a verdadeira Igreja de Deus.

• (3.4) – PERSEGUIÇÃO FÍSICA - Apc 2:10 - Jesus garantiu que mais sofrimento estava por vir. ELE NÃO OFERECEU LIVRAMENTO, mas avisa que o diabo lançaria alguns na prisão.

• As prisões romanas eram lugares horríveis. Ninguém queria ser lançado nelas. Os presos ou eram mortos pelas autoridades penitenciárias, ou torturados e arremessados às ruas. Ninguém durava muito tempo numa prisão romana.

• O governo era muito ocupado para pajear criminosos; nada queria gastar com a sua alimentação. Caso o prisioneiro fosse cristão, a situação piorava: Era surrado, morto e atirado às ruas.

• Esmirna sofreu fisicamente! Os oficiais romanos invadiam as casas e prendiam os crentes diante do olhar aflito de seus familiares. Arrastavam-nos às prisões, fazendo deles público exemplo.

• Não dissera Jesus que teriam tribulação de dez dias? Tratam-se de dez dias literais. Afinal, ninguém conseguia permanecer por muito tempo nas celas romanas. Dez dias pareciam dez anos!

• Misericordiosamente, o Senhor estabelece limites para nosso sofrimento. A prova não vai além do que podemos suportar. Se o Senhor diz dez dias, não há força na terra ou no inferno capaz de prolongar-nos o sofrimento.

• Para os cristãos de Esmirna, Jesus recomenda: - “SÊ FIEL ATÉ À MORTE”. Alguns deles pagariam com a vida o preço de seguir a Cristo. Mesmo em face ao martírio, Jesus foi taxativo: - “SÊ FIEL ATÉ À MORTE”.

• Se os oficiais romanos viessem até nós, e nos intimassem: - “CÉSAR OU CRISTO?”. Nós ficaríamos com Jesus? A resposta tem de ser “SIM”. Deus nos dará graça para fazer tal confissão. Enquanto isto, permaneçamos fiéis a Ele.

• (3.5) - PERSEGUIÇÃO SATÂNICA - Finalmente, Jesus dissera que Esmirna enfrentaria perseguição do próprio diabo.

• Como aqueles cristãos viviam para Cristo, seriam atacados pela sinagoga de Satanás. Estariam em guerra contra o próprio inferno. Decididamente, não lutavam contra a carne, e sim contra os principados, potestades, príncipes das trevas e hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais (Ef 6:11-12)

• Por trás de toda perseguição, acha-se o próprio Satanás. Por trás do imperador romano, o demônio, que despejava sua fúria contra os crentes. Muitos cristãos foram presos, e outros condenados à morte.

• Não nos enganemos! Custa muito caro ser cristão. Nalguns lugares, mais que outros. Com as pressões do final dos tempos, a perseguição contra a Igreja crescerá ainda mais. Por todo o mundo, Igreja e indivíduos serão convocados a sofrer mais que nunca.

• Não há repreensão para Esmirna. A lição é muito clara: A PERSEGUIÇÃO PURIFICA A IGREJA!

• Se o mundo nos perseguisse, jamais amaríamos as coisas que ele oferece.

• Se fôssemos trancafiados numa masmorra romana, não deixaríamos o primeiro amor, não negligenciaríamos na oração.

• Disse alguém certa vez:

• “O PROBLEMA DOS CRENTES DE HOJE É QUE NINGUÉM MAIS QUER MATÁ-LOS! TAL PERSEGUIÇÃO LEVAR-NOS-IA ÀS BASES ESSENCIAIS DO QUE SIGNIFICA SER UM GENUÍNO SEGUIDOR DE CRISTO”

• A maior bênção que poderia acontecer à causa de Cristo, atualmente, seria a perseguição.

• Que conselho Jesus tem para a Igreja sofredora? Apenas dois lembretes: NADA TEMAS e SÊ FIEL ATÉ À MORTE. É que alguns daqueles cristãos achavam-se amedrontados e perigosamente enfraquecidos.

• A fórmula para não se temer ao homem é temer a Deus: TEMAMOS A DEUS E NÃO PRECISAREMOS TEMER O HOMEM!

• O temor a Deus começa com a visão de Deus, cultuada com o entendimento de Sua impressionante santidade. Submetamo-nos a Sua soberania. Dobremos os joelhos diante de Sua justiça. Sejamos consumidos pela grandeza de Deus.

• Mais a frente Jesus diz: SÊ FIEL ATÉ À MORTE E DAR-TE-EI A COROA DA VIDA - Ao enfrentar a morte, os crentes eram encorajados a serem fiéis. Não podiam voltar atrás e negar o nome de Cristo. Nem todos são chamados a ser um mártir. Mas todo discípulo precisa estar pronto a fazer tal sacrifício.

• Nossa voluntariedade em morrer por Cristo é a última prova de nossa lealdade a Ele. Crentes que morrem por sua fé em Cristo são recompensados. A coroa da vida os espera. Esta coroa é o galardão da vitória que recebiam os atletas vencedores. Sua lealdade até a morte trar-lhe-á esta coroa. Eis aqui forte motivação para se permanecer fiel a Cristo: Uma coroa especial está a espera de todo aquele que pagar o último preço por seguir a Cristo.

• É isto que Deus pede que façamos: - “NÃO TEMAS” e “SÊ FIEL”.



III - UM ALERTA E UMA PROMESSA DE DEUS PARA A IGREJA PERSEGUIDA:

• O ALERTA: - “QUEM TEM OUVIDOS, OUÇA O QUE O ESPÍRITO DIZ ÀS IGREJAS” - Apc 2:11a - Apesar da violenta perseguição, os vencedores obterão grande vitória sobre o mundo. Jesus concluiu com um alerta para se ouvir e considerar esta mensagem.

• Todo ouvido precisa estar alerta ao que Jesus diz. São palavras fortes que precisam ser obedecidas. Precisamos ser obedientes ao que o Espírito manda que façamos. Sirvamos a Deus onde Ele nos colocou.

• A PROMESSA: “O QUE VENCER NÃO RECEBERÁ O DANO DA SEGUNDA MORTE” - Apc 2:11b - Para o que ouve e obedece ao que o Espírito diz, Jesus faz esta promessa estarrecedora. Todos os verdadeiros cristãos são vencedores (I Jo 5:5). E estes não serão danificados pela segunda morte.

• A primeira morte é física; é a separação da alma do corpo. A segunda, é espiritual; é a separação da alma da vida eterna. A morte espiritual resulta em eterno tormento no lago de fogo. É a punição eterna (Apc 20:10). Os verdadeiros cristãos jamais experimentarão a segunda morte.

• Dizem que, ou nascemos uma vez e morremos duas; ou nascemos duas vezes e morremos uma. Mas os cristãos enfrentam a primeira morte sem medo. A segunda não tem poder sobre nós. Podemos visualizar a morte física sem nada temer - mesmo enquanto somos torturados por amor a Cristo - sabendo que ela levar-nos-á mais rapidamente à presença de Deus.

• A mensagem à Esmirna é um alerta para que sejamos completamente dedicados a Jesus Cristo, mesmo enfrentando perseguição e luta. Enquanto o mundo torna-se escuro, a igreja há de brilhar. Agora é tempo de se levantar por Jesus! Custe o que custar! Quando a perseguição atingir-nos, não temamos o mundo, mas a Deus e somente a Ele. Custe o que custar!

IV - CONSIDERAÇÕES FINAIS:

• Disse Tertuliano, grande defensor da fé cristã, do 2º século:

• - “O SANGUE DOS MÁRTIRES É A SEMENTE DA IGREJA”.

• Talvez não conheçamos a verdadeira História do Cristianismo ou ela ainda não foi contada sob a ótica dos mártires.

• Precisamos ter consciência de que somos herdeiros de uma história de homens e mulheres que deram suas vidas para que o Evangelho pudesse chegar até nós. Precisamos aprender a honrar essa História. Meditemos:

• (A) - ESTÊVÃO - foi apedrejado;

• (B) – PEDRO - morreu crucificado de cabeça para baixo, por dizer não merecer morrer como seu Mestre;

• (C) – TIAGO (filho de Zebedeu e irmão de João, o discípulo amado) - foi decapitado por Herodes Agripa, cerca de dez anos após a morte de Jesus;

• (D) – ANDRÉ - foi crucificado numa cruz transversalmente, daí o termo “Cruz de Santo André”, porque sua cruz era em forma de um “X”;

• (E) – FILIPE - sofreu martírio em Hierápolis: Foi açoitado, trancado em uma prisão e posteriormente crucificado em 54 d.C.;

• (F) – BARTOLOMEU - serviu como missionário na Armênia e em vários países. Traduziu o Evangelho de Mateus para a língua da Índia e o propagou naquele país. Na Armênia foi golpeado até a morte.

• (G) – TIAGO (filho de Alfeu e um dos doze apóstolos) - pregou na Palestina e no Egito e aos 94 anos foi surrado e apedrejado pelos judeus; finalmente teve seu cérebro despedaçado;

• (H) – PAULO - pregou diligentemente o Evangelho a muitas nações, chegou a ponto de evangelizar um continente inteiro. Foi muito perseguido, até ser pego por Nero e decapitado em Roma;

• (I) – JOÃO, o discípulo amado - foi colocado dentro de uma caldeira de óleo quente e não morreu! Ele escapou por milagre. Depois de obter liberdade morreu por causas naturais. João foi o único discípulo a escapar de uma morte violenta.

• Talvez digamos que os tempos eram outros e que isso não acontece mais. Engano nosso!

• Recebemos diariamente notícias sobre a Igreja perseguida ao redor do mundo e, pasmem, muitas pessoas morrem por demonstrar amor e compromisso com o Mestre.

• Que o exemplo da Igreja de Esmirna e de todos os mártires possam impactar nossas vidas!

• O Senhor Jesus nos convida a sermos uma Igreja conhecedora da Palavra, cheia do poder do Espírito Santo e a sermos uma Igreja cheia de esperança e amor.

• Se vivermos a plenitude dessas características, com certeza o nosso testemunho fará diferença e outras pessoas poderão também conhecer a esse Jesus Salvador!

• Para encerrarmos, ouçamos e meditemos na letra do belo hino interpretado pela cantora Andrea Fontes: “O PREGADOR FIEL”.

• Que o Espírito Santo de Deus continue falando poderosamente a cada um dos corações. Amém.





Martírio de Policarpo, Bispo de Esmirna

A Fundação da Igreja em Esmirna

Localizada ao norte de Éfeso, e com uma população de cerca de 250.000 habitantes, a cidade de Esmirna era considerada a mais bela da Ásia Menor. Sua beleza natural era fascinante. Seu esplendor habitava entre o mar e as montanhas. Sua estrutura urbana era modelo para as demais cidades de sua época. O comércio internacional favorecia economicamente a cidade, que era grande exportadora de mirra.

Na condição de centro religioso, em Esmirna eram adorados os deuses Cibele, Apolo, Asclépio, Afrodite e Zeus. O culto ao imperador, que incluía a queima de incenso a imagem de César, foi lá bastante difundido e praticado. [1] Conforme Kistemaker:

Em 26 d.C., ela dedicou um templo ao imperador Tibério e se gabava de ser a principal no culto ao imperador. Essa jactância agradou aos administradores romanos, os quais fomentavam a paz e a unidade que caracterizavam o espírito de Roma por todo o império. William Barclay escreve que, para tornar o espírito de Roma tangível, os romanos apresentaram o imperador como sendo sua incorporação, e assim surgiu o culto ao imperador. Ainda que alguns dos primeiros imperadores discordassem de tal culto, a população o ativou ao ponto de tornar os imperadores divinos.[2]

Não há registros específicos da chegada do Evangelho e da fundação da igreja em Esmirna, mas podemos sem problema algum enquadrar tais fatos no contexto de Atos 19.10:

Durou isto por espaço de dois anos, dando ensejo a que todos os habitantes da Ásia ouvissem a palavra do Senhor, tanto judeus como gregos.

Como na grande maioria dos casos, na medida em que foi estabelecida pela pregação do Evangelho, a igreja em Esmirna começou a provocar e a vivenciar algumas tensões, inquietações e desconfortos, que aos poucos se transformou numa violenta e cruel perseguição.

A Perseguição à Igreja em Esmirna

Ao anjo da igreja em Esmirna escreve: Estas coisas diz o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver: (Ap 2.8)

Os historiadores sugerem que o bispo da igreja em Esmirna por ocasião desta carta era Policarpo (69 d.C.-155 d.C.). Como falar de Esmirna e não citar esse grande mártir da história do cristianismo?

Policarpo fora discipulado por João. Ao se tornar pastor da igreja em Esmirna manteve-se fiel à Palavra, mesmo sendo sabedor da possibilidade do martírio.

No ano de 155 ainda estava vigente a política de Trajano sugerida ao governador Plínio, onde os cristãos não eram perseguidos, mas se delatados por alguém, e se negavam a adoração aos deuses ou ao imperador, eram submetidos aos tribunais romanos, condenados, castigados e martirizados. [3]

Eusébio de Cesaréia, em sua História Eclesiástica, nos narra alguns detalhes do martírio de Policarpo, registrados numa correspondência enviada pela igreja em Esmirna às igrejas de Ponto. Antes de relatar os fatos relacionados ao martírio de Policarpo, na referida correspondência se encontras detalhes sobre os métodos empregados pelos martirizadores dos crentes em Esmirna:

Os que postavam à volta ficavam tomados de assombro ao vê-los lacerados por chicotadas, expondo o próprio sangue e artérias, de modo que a carne encerrada nas partes mais internas do corpo e as próprias entranhas ficavam à vista. Eles eram deitados sobre conchas do mar e sobre pontas afiadas de lanças sobre o chão. E depois de passar por todo tipo de punição e tormento, eram por fim lançados às feras. [4]

Foi a postura de um jovem nobre chamado Germânico diante de seu próprio martírio, que a fúria dos perseguidores se voltou incontrolavelmente contra o líder da igreja em Esmirna. Persuadido por muitos e de várias maneiras para que negasse a sua fé em Cristo, e que prestasse culto ao imperador, Policarpo caminhou firme em direção ao estádio onde seria martirizado. Quando o governador lhe pediu para que negasse a Cristo, Policarpo lhe respondeu:

Oitenta e seis anos tenho-lhe servido, e ele nunca me fez mal; e como posso agora blasfemar meu Rei que me salvou? [… ] Ameaça-me com fogo que queima por um momento e logo se extingue, pois nada sabes do julgamento que virá e do fogo da punição eterna reservada para os perversos. Mas, por que te demoras? Faze o que desejas. [5]

As palavras de Policarpo enfureciam cada vez mais os seus algozes. Como de costume, o arauto se dirigiu ao centro do estádio e proclamou: “Policarpo confessa que é cristão”. Amarrado a uma estaca e sem roupas, antes de seus executores acenderem o fogo, Policarpo fez a seguinte oração:

Ó Pai de teu amado e bendito Filho Jesus Cristo, por meio de quem recebemos o conhecimento a teu respeito. O Deus dos anjos e poderes, e de toda a criação, e de toda a família dos justos, que vive diante do pai, bendigo-te por teres me considerado digno deste dia e hora, de fazer parte do número de mártires e do cálice de Cristo, até a ressurreição da vida eterna, tanto da alma como do corpo, na felicidade incorruptível do Santo Espírito. Que eu possa ser recebido entre eles em sua presença neste dia, como um sacrifício rico e aceitável conforme preparou, revelou e cumpriu o fiel e verdadeiro Deus. Assim, por essa causa e por todas as coisas louvo-te, bendigo-te por intermédio do sumo sacerdote eterno, Jesus Cristo, teu Filho amado. Por meio de quem seja a glória para ti no Santo Espírito, agora e para sempre. Amém. [6]

Quando nos deparamos com as narrativas acima, passamos a entender a necessidade da ênfase dada no início da carta à igreja em Esmirna à morte e ressurreição de Jesus, que certamente contribuiu para ajudar aqueles crentes fiéis a superarem o medo natural da morte e do martírio.

O Exemplo da Igreja em Esmirna

Conheço a tua tribulação, a tua pobreza (mas tu és rico) e a blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus e não são, sendo, antes, sinagoga de Satanás. (Ap 2.9)

Jesus declara conhecer a real condição daquela igreja, que implicava em constante e grande aflição (gr. thlipsin), e em extrema pobreza (gr. ptocheian), mas que era espiritualmente e essencialmente rica.

A condição da igreja em Esmirna promove a desconstrução dos fundamentos da Teologia da Prosperidade e da Vitória Financeira, fortemente difundidos nas Assembleias de Deus no Brasil pelo pastor Silas Malafaia, através de seu programa de televisão. Os crentes de Esmirna eram fiéis, mas tal fidelidade provocou a tribulação e pobreza material deles, visto que na prospera cidade de Esmirna muitos foram obrigados a deixar os seus empregos, tendo também os seus bens confiscados. [7] Como bem adverte Kistemaker:

Isso não significa que os crentes devam atrair perseguição e dificuldades a fim de ficarem ricos de possessões espirituais; antes, Jesus quer que sejam fiéis, a ele e à sua palavra, mesmo quando passam por dificuldades e abuso, porque então serão espiritualmente bem-aventurados (Mt 5.11, 12; Tg 2.5)

É preciso ter cuidado para não incorrermos no erro da Teologia da Prosperidade e da Teologia da Miserabilidade.

O tipo de fé vivenciada pela igreja em Esmirna deve provocar em nós uma reflexão sobre o tipo de fé que vivenciamos em pleno século XXI. Até que ponto não estamos praticando algum tipo de idolatria pós-moderna? Podemos não estar cultuando o “imperador”, mas será que não cultuamos o “poder” do imperador? Quando pastores abandonam os seus ministérios, ou dividem o pastoreio do rebanho com a política secular, não está aí presente o culto ao poder? Quando líderes fazem acertos com políticos em bastidores, chegando a negociar os votos da igreja em períodos de campanhas eleitorais, visando em alguns casos tirar proveito em benefício próprio, de familiares e de amigos, não estamos queimando incenso aos imperadores? Será que não trocamos os deuses em forma de estátuas e imagens, por deuses em forma de bens e recursos materiais?

O atual assédio dos políticos mundanos em torno das Assembleias de Deus no Brasil, não deveria provocar em nós desconfiança? Por que não éramos assediados quando não passávamos de um pequeno grupo de “bodes barulhentos”? Por que nossos templos não eram visitados por vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores e presidentes na época em que não tínhamos tanta expressividade numérica e visibilidade social?

Será que diferente da igreja em Esmirna, não fomos seduzidos, embriagados, entorpecidos e enganados pela glória e honra do presente século, oferecida por satanás ao próprio Cristo (Mt 4.8-9)?

Qual é a real condição da igreja evangélica brasileira, e em especial as Assembleias de Deus, diante daquele que não apenas conhece todas as obras, mas que conhece também os nossos desejos, vontades, motivações e interesses?

Que a igreja de Esmirna nos sirva de exemplo e referencial de fidelidade a Deus, coragem e determinação.

[…] Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O vencedor de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte. (Ap 2.10c-11)







TEXTO ÁUREO = “Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2.10)

VERDADE PRÁTICA = Deus permite que os sofrimentos venham, mas pode também dizer: “Até aqui e não mais adiante”.

TEXTO BÍBLICO BÁSICO - Ap 2.8-11

INTRODUÇÃO

Avançamos agora para a segunda carta enviada a outra das igrejas da Asia, em que, como antes, observamos: O prefácio ou inscrição em duas partes. 1. O sobrescrito, contando-nos a quem foi mais direta e energicamente dirigida: “…ao anjo da igreja que está em Esmirna”, um lugar bem conhecido naquela época pelos mercadores, uma cidade de muito comércio e grande opulência, talvez a única das sete cidades que ainda é conhecida pelo mesmo nome, mas já não é conhecida pela igreja cristã que foi devastada pelo maometismo.

O sobrescrito, contendo mais um dos títulos gloriosos do nosso Senhor Jesus, “…o Primeiro e o Ultimo, que foi morto, e reviveu”, tomado do capítulo 1.17,18. (1) Jesus Cristo é o Primeiro e o Ultimo. A nós é permitido um pequeno período neste mundo, mas o nosso Redentor é o primeiro e o último. Ele é o primeiro, pois por meio dele todas as coisas foram criadas, e Ele estava antes de todas as coisas com Deus e era Ele mesmo Deus. Ele é o último, pois todas as coisas foram feitas para Ele, e Ele será o Juiz de tudo. Esse certamente é o título de Deus, de eternidade a eternidade, e é o título de um que é o Mediador imutável entre Deus e o homem, Jesus, o mesmo ontem, hoje e para sempre.

Ele foi o primeiro, porque por Ele foi posto o fundamento da igreja no estado patriarcal; e Ele é o último, porque por meio dele será trazida a pedra final e será colocada no final dos tempos. (2) Ele foi morto, e reviveu. Ele foi morto, e morreu por nossos pecados; Ele está vivo, e ressuscitou para a nossa justificação, e Ele vive para sempre para fazer intercessão por nós. Ele foi morto, e ao morrer obteve a salvação por nós; Ele está vivo, e por meio da sua vida aplica essa salvação a nós. “Se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais seremos salvos pela sua vida”. Relembramos a sua morte a cada Ceia do Senhor; sua ressurreição e vida, a cada domingo.

Nos dias em que a igreja de Smirna recebeu a carta de Jesus, ela vivia em grande aflição por causa das grandes perseguições que enfrentava. Nos dias de hoje não se fala mais, em nosso país, de perseguições em virtude da fé que professamos como aconteceu antes, não só aqui, mas em vários lugares no início desta obra. Atualmente a Igreja é considerada e reconhecida. Muitos que nos perseguiam e escreveram contra nós, querem agora manter bom relacionamento conosco, e o nome “pentecostal” é cobiçado até por aqueles que pouco têm a ver conosco. Jesus, porém, advertiu que este tempo é mais perigoso do que o tempo das perseguições (Lc 6.26).

O tópico da sua carta a Esmirna, em que após a declaração comum da onisciência de Cristo e do perfeito conhecimento que ele tem de todas as obras dos homem e especialmente das suas igrejas, Ele observa:

Enquanto o Brasil goza de total liberdade religiosa, existem milhões de crentes em várias partes do mundo que sofrem torturas, prisões e morte por causa de sua fé em Jesus. Nesta lição vamos estudar a mensagem de Jesus para a igreja sofredora.

A BIBLIA FALA DE SOFRIMENTO POR CAUSA DA FÉ

1. Sofrimento na conversão. A conversão, às vezes, é acompanhada de perseguições. Quando Jesus salva alguém do mundo (Jo 15,19), libertando das tradições (I Pe 1.18), o inimigo e seus seguidores começam a rugir (I Ts 2.14-16; II Co 2.1-11).

Muitos crentes têm sofrido, seja no ambiente de seus familiares (Mt 10.35,36), no colégio, no lugar de trabalho, na vizinhança, etc. Diz a Bíblia que “por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus” (At 14.22).

2. Sofrimento por erro doutrinário. As doutrinas errôneas trazem sofrimento. Os crentes em Smirna sofreram por causa de doutrinas erradas. Em Smirna havia religiosos tão fanáticos que Jesus os chamou de “Sinagoga de Satanás” (Ap 2.9). Foram eles que incitaram a população a perseguir os autênticos seguidores de Jesus.

3. Sofrimento como cumprimento profético. As perseguições são parte do cumprimento das profecias. A palavra profética avisa que nos últimos tempos haverá perseguições por causa da fé (Lc 21.12; Mt 24.9, 10). Este sinal tem-se cumprido de modo surpreendente em várias partes do mundo. E como será no futuro?

TIPOS DE SOFRIMENTO DO POVO DE DEUS

Na Sua carta à igreja em Smirna, Jesus usa várias expressões, para designar o sofrimento do Seu povo,

1. Tribulação. Fala de adversidade, aflição no sentido físico, que os Seus servos haveriam de sofrer por causa da sua fé. O Espírito lhes revelava, ainda, que viriam mais sofrimentos (Ap 2.10). Além da tribulação por causa da fé, existiriam também aflições por motivos de finanças, enfermidades, acidentes, catástrofes, morte, etc. Todavia, Jesus tem uma palavra de consolação para todos (II Co 1.3-6),

2. Pobreza (Ap 2.9). Jesus fala aqui da pobreza material sofrida pelos crentes por serem rejeitados no trabalho. Quando o chefe de família é preso ou demitido por causa da sua fé em Jesus, a família sofre privações. Jesus, porém escreveu: “TU ES RICO” (Ap 2.9). O sofrimento é recompensado pela riqueza das bênçãos que o acompanham (I Ts 1.5; II Co 6.10).

3. Blasfêmia (Ap 2.9). Jesus menciona aqui os sofrimentos morais, que consistem sempre em ser alvo de críticas, mentiras, etc. Paulo disse: “somos blasfemados, até ao presente temos chegado a ser como lixo deste mundo, e como a escória de todos” (I Co 4.13).

JESUS CONHECE OS PROBLEMAS DA SUA IGREJA

1. “Eu sei as tuas obras, e tribulação” (Ap 2.9). Nos momentos de sofrimento, às vezes podemos pensar: Por que Deus não guardou ou não impediu que seus servos sofressem tanto? Mas Jesus disse: “EU SEI”. Ele sofreu mais do que todos os seus seguidores, e afirmou: “CONVINHA que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito” (Lc 24.44).

O caminho da redenção passou pelo vale do sofrimento. Mas ainda existe um “resto de aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja”, para ser cumprido (Cl 1.24).

Lembre-se de que Deus, muitas vezes, mostra o seu poder, e foi o que fez livrando os três moços do forno de fogo ardente (Dn 3.23-29); Daniel, da cova dos leões (Dn 6. 21- 27); Pedro, da mão de Herodes (At 12.1-11), etc. Porém, Ele mesmo permitiu que Estêvão fosse apedrejado (At 7.58,59); João Batista, degolado (Mt 14.10,11); e Tiago, morto (At 12.2).

Deus pode, portanto, permitir o sofrimento, ou impedi-lo, ou dizer: “Até aqui virás, e não mais adiante” (Jó 38.11; Sl 89.9).

2. Jesus é o Cristo Redivivo. Jesus mandou que João escrevesse o seguinte: “isto diz o primeiro e o timo, que foi morto, e reviveu” (Ap 2.8). Com isto Ele estava dizendo: “Eu sofri e venci”. Assim a vitória de Cristo se constitui no penhor da nossa própria vitória.

JESUS CONDUZ A SUA IGREJA A VITÓRIA

1. Não temas (Ap 2.10). O medo é o inimigo que prejudica a fé. Enquanto Pedro confiou na palavra de Jesus, caminhou por cima das ondas do mar, porém teve medo e começou a afundar-se (Mt 14.30,31). O medo afasta o crente de sua tranqüilidade à sombra do Onipotente (Si 91.1,2). Nada temas!

2. “Nada vos fará dano algum” (Lc 10.19; Hb 13.6). Jesus falou da vitória em meio às tribulações da vida (Ap 2.11). O poder do inimigo é limitado (Mt 10.28). Ele não vai além do que Deus permite.

3. A tribulação como plano divino. A Bíblia mostra claramente que o sofrimento está dentro do piano de Deus (Rm 8.28).

Será possível? Jesus disse a Pedro, que ele, pela sua morte, glorificaria ao Senhor (Jo 21.19). Paulo afirmou desejar que Jesus fosse glorificado pelo seu corpo, seja através da vida ou da morte (Fp 1.20).

A morte de Estêvão teve como resultado a salvação de Saulo (At 8.1; 26.14). A história da Igreja mostra que o sangue dos mártires é a semente do Evangelho.

4. Deus nos faz triunfar. É Deus quem nos faz triunfar na adversidade. Em conseqüência, Ele, que enviou um anjo a fim de confortar a Jesus no Getsêmani (Lc 22.43), mandou também outro anjo para ajudar a Paulo em meio às perseguições sofridas em Corinto (At 18.6) e às amarguras dum naufrágio (At 27.23), é o mesmo que dá força para suportarmos as tribulações da vida, hoje (I Co 10.13).

FIEL ATÉ A MORTE

1. Fidelidade a Jesus. Ele sempre nos foi fiei (I Co 1.9; Ap 19.11) e espera fidelidade de nossa parte também (Sl 101.6).

Quando Policarpo, bispo da igreja em Smirna, 60 anos após a carta de Jesus, estando em julgamento, foi interrogado se queria renegar a Cristo para evitar o martírio, respondeu: “Em 90 anos Jesus sempre me foi fiel. Como poderia eu negá-lo?” Policarpo foi queimado vivo, mas permaneceu fiei até o fim.

2. Fidelidade diante dos irmãos. O exemplo de fidelidade diante de nossos irmãos é coisa importante. Paulo escreveu: “Muitos, tomando ânimo com as minhas prisões” (Fp 1.14), querendo dizer que os sofrimentos e perseguições que afligem um irmão servem de estímulo e encorajamento a outros, sejam eles já maduros na fé ou ainda iniciantes.

3. Fidelidade até a morte. Que é a morte para o crente? Não é a entrada para a glória? Se testificarmos que não temos medo da morte, devemos ser fiéis ainda que a morte seja a exigência da demonstração da nossa fidelidade.

RECOMPENSA DO VENCEDOR FIEL

1. O vencedor será glorificado. Os que padecem pelo nome de Jesus, com Ele viverão (II Tm 2.11), e serão glorificados (Rm 8.17) e recompensados com “grande galardão” (Mt 5.10,11).

2. Coroa da vida para o vencedor. O vencedor receberá a coroa da vida (Ap 2.10). Depois da batalha final, todos os que lutaram com Cristo serão coroados. A entrega das coroas terá lugar diante do Tribunal de Cristo, logo após o arrebatamento (II Co 5.10; Rm 14.10; Ap 22.12).

Conclusão

Morar em Esmirna no primeiro século não seria fácil para o discípulo de Jesus. Além das perseguições pelos judeus, eles enfrentavam uma ameaça mais organizada e mais poderosa. A idolatria oficial, juntando a religião à força do governo, prometia uma perseguição perigosa aos cristãos da cidade, tentando-os a abandonarem a sua fé para melhorar as suas circunstâncias ou até para evitar a morte violenta.

Para vencer esta tentação, teriam que acreditar no poder daquele que já venceu a morte. Mesmo se morressem, as suas vidas eternas seriam garantidas somente se mantivessem sua confiança no eterno Senhor, “o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver”.

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

BIBLIOGRAFIA

Lições bíblicas CPAD 1989

Comentário Bíblico Mathew Henry - Novo Testamento Edição Completa

ESTUDO PARA COMPLEMENTO

QUANDO A PERSEGUIÇÃO ATINGE O FIEL == Apocalipse 2.8-11

A linha foi traçada na areia. A guerra está declarada. O inferno, em sessão oficial; e a Igreja, sob ataque. O reino de Satanás empenha-se numa batalha sem quartel contra a Igreja de Jesus Cristo. As forças do inferno estão convocadas contra o povo de Deus. Violenta tempestade arma-se no horizonte.

Em ação, a Igreja Batista de Hamilton Square, em São Francisco. Ao se reunirem para o culto de domingo à noite, em 19 de setembro de 1993, aqueles crentes sabiam que muita coisa haveria de acontecer. Apenas não imaginavam com que intensidade! O orador seria Lou Sheldon, um sincero oponente da legislação pró-homossexual da Califórnia. Como presidente da Coalizão de Valores Tradicionais, em 1989, Sheldon havia revolucionado os costumes domésticos dos casais de São Francisco.

Sua visita fez da igreja um campo de batalha. Dois jornais pró-homossexuais noticiaram a visita de Sheldon, provocando uma avalanche de telefonemas à igreja. Ativistas ameaçaram atrapalhar. E realmente atrapalharam. O culto tornou-se campo de batalha. Aproximadamente 100 desordeiros invadiram a área exterior do templo, controlando-a totalmente.

Furiosos, eles negavam o acesso dos crentes ao templo. Verificou-se até violência física. Uma irmã foi arrancada da porta da igrejas por esses ativistas. A polícia limitou-se a assistir aqueles atos de vandalismo. Os baderneiros arrancaram a bandeira da igreja para hastear a dos homossexuais. Crianças foram molestadas e destratadas. Obscenidades, proferidas.

Quando o culto teve início, gays furiosos começaram a esmurrar as portas do santuário, convidavam os fiéis a orgias sexuais. Enquanto os crentes cantavam, aqueles vândalos atiravam ovos e pedras nas janelas. O pastor foi atingido pelos estilhaços, e precisou de escolta policial para deixar a igreja.

Era como estar em Sodoma e Gomorra.

Mas isto aconteceu na América. Continuarão tais agressões contra a igreja? E se outras minorias resolverem agir de igual modo? Já é a perseguição dos últimos dias?

Uma coisa está clara. Jesus avisou-nos de que isto aconteceria antes de sua vinda: “Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as gentes por causa do meu nome” (Mt 24.9).

Antes de sua crucificação, Jesus já nos havia advertido: “Se o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, me aborreceu a mim. Se vós fosseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos aborrece” (Jo 15.18,19). O apóstolo Paulo fez igual advertência: “Sabe porém isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos… E também, todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2 Tm 3.1,12). A linha foi traçada na areia. Os lados escolhidos. E a guerra declarada. O inferno está em guerra contra o céu.

Esmirna, a segunda igreja a receber a carta de Cristo, sabia disto. Ela representa os cristãos perseguidos em todos os tempos e cenários culturais.

Façamos uma viagem à velha Esmirna.

O Cenário

Esmirna era a mais bela cidade da Ásia Menor. Era a coroa do continente. Próspero centro portuária, possuía um pitoresco cenário natural. Fazia fronteira com o Mar Egeu, sendo ladeada por uma montanha circular chamada Pagos. A bela montanha era contornada pela Rua do Ouro. Nela, haviam templos pagãos e edifícios públicos que lhe davam a aparência de uma coroa. As ruas bem pavimentadas e delineadas por arvoredos, acentuavam-lhe a beleza. Seus prédios eram conhecidos como a coroa de Esmirna; assemelhavam-se a um colar de diamantes.

Séculos antes, Alexandre, o Grande, determinara fazer de Esmirna a cidade-modelo da Grécia. Sua vida cultural florescia. As artes, educação, filosofia e ciência. Tudo florescia. Ela ostentava magnífica biblioteca e um monumento ao seu mais ilustre filho - Homero. Aqui, achava-se também o maior teatro da Asia. Seu orgulho e beleza estavam gravados em suas moedas.

Localizada a 40 milhas ao norte de Éfeso, possuía um porto natural onde frotas inteiras abrigavam-se de ataques e tormentas. Ela ocupava o segundo lugar nas exportações, sendo superada somente por Efeso. Era o grande e florescente centro do comércio internacional. Esmirna tinha fortes laços com Roma. Quando seis cidades competiam pelo privilégio de construir um monumento à capital do império, foi Esmirna a escolhida. Sua fidelidade a César era indiscutível.

Conseqüentemente, era um próspero centro do culto ao imperador. Naqueles dias, César era como um Deus para o povo. A sua imagem, esculpida em mármore, eram queimados incensos.

Todos eram convocados, anualmente, a jurar fidelidade ao imperador. O que se recusasse a fazê-lo, era preso e executado ao fio da espada. Esmirna era o berço do paganismo.

Cibele, Apolo, Asclépio, Afrodite e Zeus. Todos os deuses eram abertamente adorados em Esmirna. Mas, nesta perversa cidade, havia um pequeno rebanho de Cristo. Arrancados a esse sistema diabólico, fizeram-se Igreja de Deus. Em Esmirna não era fácil ser cristão. Muitos eram perseguidos e mortos por sua fé. Ser chamado de cristão, aqui, era sobremodo perigoso.

Esmirna significa myrh - fragrância usada para se fabricar perfume. Quando esmagada, a casca da myrh exala doce aroma. Esta é a precisa descrição da igreja. Quanto mais esmagada pelo mundo em virtude de sua fé em Cristo, mais o aroma de seu testemunho exala. Diante da oposição, a fragrância daquela igreja espalhara-se por toda a Asia Menor. Se Éfeso era como São Paulo - líder no comércio e na indústria, Esmirna era como o Rio de Janeiro - um centro cultural de primeira grandeza.

O Remetente

Jesus identifica-se a esta perseguida e atribulada igreja de maneira dramática. Encoraja-a; enaltece-lhe o espírito. E ao anjo da igreja que está em Esmirna, escreve: Isto diz o primeiro e o último, que foi morto, e reviveu… (Ap 2.8).

Aquele que É Eterno

Jesus é o primeiro e o último. Este título lhe declara a eternidade. Antes que o tempo existisse, Jesus já existia. E Ele existirá depois que todas as coisas se findarem. Da eternidade a eternidade, Ele é. Nada pode limitá-lo. Ela revela sua natureza a Esmirna para que esta, em meio ao sofrimento, tenha uma perspectiva eterna. Em meio às lutas, lembremo-nos de que Jesus já existia antes do tempo. O que aqui sofremos é insignificante se comparado à glória eterna que nos aguarda.

Aquele que Vive

Jesus é aquele que foi morto e reviveu. Ele transpõe a eternidade. Como Deus eterno, invadiu o tempo e a história no ventre da virgem. Tornou-se verdadeiro homem. Tomou a forma de servo e viveu a vida sem pecado. Falsamente acusado como criminoso, foi suspenso entre o céu e a terra entre dois ladrões. Mas obediente até morte, Deus o ressuscitou triunfantemente.

Sua vitória sobre a morte é também a nossa vitória. Grande encorajamento para esta igreja sofredora! Eles também sofriam injustiças de Roma. E à semelhança de Cristo, mantinham-se obedientes e fiéis até a morte. Mas a morte não pode deter os santos. Um dia, os mártires ressuscitarão triunfalmente: sua vitória é eterna.

O Pecado

Não há repreensão para Esmirna. Nenhum membro é censurado. Embora não haja igreja perfeita aos olhos de Cristo, diante de quem todas as coisas estão expostas e descobertas, Esmirna não apresenta nenhuma falha gritante. Imagine-se, agora, em Esmirna, ouvindo esta carta. No momento da repreensão, nenhuma censura. Nenhuma! Apenas favor e aprovação do Cristo.

O Sofrimento

Jesus agora conforta sua igreja. Perseguida e pura, não necessita de correção, mas de encorajamento. Diz-lhe o Senhor:

Eu sei as tuas obras, e tribulação, e pobreza (mas tu és rico) e a blasfêmia dos que se dizem judeus, e não o são, mas são a sinagoga de Satanás. Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados, e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida (Ap 2.9,10).

Assim Jesus inicia a sua carta: “Eu sei as tuas obras”. Sei ou conheço (oida, no grego) é o conhecimento adquirido pela própria experiência. E aprender algo através do envolvimento pessoal. E também apreciar, respeitar ou valorizar a qualidade de uma pessoa ou coisa.

Ao declarar: “Eu sei a sua tribulação”, Ele está dizendo: “Sei exatamente o que está se passando. Já passei por isto. Sei como se sente. Sei como é ser falsamente acusado, molestado e cuspido. Sei o que é ser açoitado, escarnecido e morrer de maneira injusta. Sei o que está sofrendo, e valorizo grandemente a sua lealdade”.

Jesus fala sobre cinco diferentes níveis de perseguições sofridas por Esmirna: governamental, econômica, física, religiosa e satânica.

Perseguição Governamental

Esmirna sofria sob a tirania de Roma. Mais adiante, Jesus identifica tal tribulação como prisão ou encarceramento. A palavra tribulação (thlipsin, no grego) é muito radical. Literalmente, significa esmagar um objeto, comprimindo-o. Descreve a vítima sendo esmagada, e seu sangue, extraído. Descreve pessoas esmagadas até a morte por uma enorme pedra. Também descreve a dor duma mulher ao dar filhos à luz.

Em Esmirna, os crentes eram dolorosamente esmagados sob as rígidas cláusulas da lei romana. Eram arrancados de suas casas, capturados nas feiras livres e levados cativos. César jogava toda a força de seu poderoso império sobre esta pequena igreja. E muitos desses santos já haviam selado seus testemunhos com o próprio sangue.

Quando a igreja foi fundada em Jerusalém, era Israel quem lhe avultava como ameaça, e não Roma. Além do mais, vigorava naqueles dias a paz romana, obrigando todas as possessões imperiais a observarem rigoroso ordenamento.

Embora cada país conquistado pudesse conservar seus próprios líderes e costumes, tinha de prestar cega obediência ao imperador. Aparentemente nada havia mudado. O povo ainda gozava certas liberdades políticas, religiosas e culturais, mas lá estava o Império Romano pronto a reprimir qualquer indisciplina.

Mas tudo mudou repentinamente. Em 67 d.C., um louco chamado Nero subiu ao trono de Roma. Temendo perder o trono, Ele matou suas três primeiras esposas e a própria mãe. Sob sua insanidade, as chamas da perseguição foram inflamadas contra a igreja. Nero culpou os cristãos por muitos de seus erros políticos. Foi esta a perseguição mencionada nas duas epístolas de Pedro.

Mas Nero morreu cedo, proporcionando momentâneo refrigério à igreja. Em 81 d.C., porém, outro insano assume o poder. Domiciano era mais cruel que Nero. E logo uma segunda onda de perseguição levanta-se contra os cristãos. Esta é a perseguição a que Jesus se refere na carta a Esmirna.

Ao expandir-se, Roma conquistou muitos territórios e países, gerando grande diversidade de línguas e culturas no império. Como unificar tantas diversificações? Como consolidar tantos movimentos nacionalistas? Alguns destes, contra Roma. A adoração ao imperador foi a resposta. Uniria o império, pois obrigaria cada cidadão romano a prestar, uma vez por ano, pública lealdade diante do busto de César. Para a grande maioria dos cidadãos romanos, isto não era problema. Afinal, já adoravam a vários deuses. O que era mais um deus? Mas para os cristãos, adorar a César era uma traição ao Rei dos reis. Não podiam assentir nesta idolatria. Ao invés de declarar: “César é Senhor”, os primeiros cristãos bravamente confessavam: “Cristo é Senhor! Como resultado, passou a igreja a sofrer dolorosamente.

O historiador H. B. Workman: “Tornar-se cristão significa grande renúncia. Aquele que seguir a Cristo tem de contabilizar o custo, e estar preparado para pagá-lo com a própria vida. A declaração do nome de Cristo já era um crime, O nome significava tortura e ser lançado às feras. No caso das donzelas, a infâmia era pior que a morte”.

A perseguição governamental não cessou. Estamos perdendo a liberdade religiosa. Nossa liberdade espiritual vem sendo diariamente fraudada.

No Alasca, em 1987, alguns estudantes foram advertidos a não usar a palavra Christmas (Natal), por conter ela o nome de Cristo. Nem nos cadernos, podia a palavra ser encontrada. Tampouco estavam autorizados a enviar cartões de Natal a seus colegas de escola.Um casal da igreja que recentemente pastoreei, foi a Rússia ensinar táticas bíblicas aos professores de escolas públicas daquele país. Achei isto maravilhoso. Eles tiveram de viajar meio mundo para partilhar valores cristãos, o que não puderam fazer em Little Rock, Arkansas. Quanto tempo ainda falta antes que enfrentemos o tipo de perseguição a que eram submetidos os cristãos do primeiro século?

Perseguição Econômica

Houve também perseguição econômica contra a igreja em Esmirna. Foi Jesus quem o revelou: “Eu sei a tua tribulação e pobreza” (Ap 2.9). A palavra pobreza (ptocheian, no grego) denota alguém tão desprovido de bens, que nada chega a possuir. Ele não está apto a ganhar nem mesmo ninharias; acha-se à mercê da caridade humana.

Assim, Esmirna. Tão pobre que não podia fazer o mínimo orçamento. Não tinham nada. O motivo? Os teólogos da prosperidade responderiam: “Esmirna estava fora da vontade de Deus. Tudo o que tinham a fazer era decretar a bênção. Estavam vivendo indignamente. Deus os queria ricos.”

Mas, deveriam eles ser repreendidos por sua pobreza? Não! Eram pobres porque

estavam na vontade de Deus. Prosperidade financeira não é a vontade de Deus para todos. Por isto é difícil ser cristão. Pode custar até mesmo a prosperidade financeira.

Não se esqueça de que Esmirna era uma das mais prósperas cidades daqueles dias. Não havia baixas no mercado, nem recessão. Os negócios cresciam. Lá, qualquer pessoa podia prosperar. Mas os homens de negócios cristãos eram despedidos de seus empregos. Suas lojas, violadas e saqueadas; seus pertences, roubados. Tudo porque confessavam que Jesus Cristo é Senhor, e não César.

A analogia mais próxima que temos é a grande perseguição dos judeus na Alemanha nazista. Suas viagens eram restritas. Suas lojas, vandalizadas. Seus locais de adoração, maculados; e suas propriedades, confiscadas. Eram humilhados, estigmatizados, caluniados, molestados e agredidos fisicamente. Privavam- nos do básico para o dia-a-dia. Tudo isto por sua identidade religiosa.

A mesma pressão econômica começa a atingir os cristãos na América e em outros países ocidentais. O preço para se fazer negócios como cristão aumenta consideravelmente. Enquanto escrevia este capítulo, recebi o telefonema de dois homens de negócios de nossa igreja. Dois homens respeitados e que ocupam posições proeminentes em companhias importantes.

O primeiro contou que seria forçado a demitir-se devido a sua fé em Cristo. O dono da companhia, questionando-lhe a lealdade, perguntou-lhe: “Sua igreja é mais importante que este negócio? Sua fé é mais importante que sua carreira? Se assim for, está no lugar errado”.

O segundo relatou algo similar. Como chefe de operações de uma corporação em Little Rock, enviou cartões de Natal a seus clientes. Os cartões continham o nome de Cristo ao lado do da companhia. Com isto, os ímpios ficaram ofendidos: “Levaremos o problema aos diretores da empresa. Estamos ofendidos por você nos haver enviado o cartão com o nome de Cristo. Isto custará o seu emprego!” Ambos os incidentes ocorreram em Little Rock, Arkansas, mas logo estará se repetindo em sua cidade.

Perseguição Religiosa

Jesus identifica outro nível de perseguição - a religiosa: “Eu sei… a blasfêmia dos que se dizem judeus e não o são, mas são a sinagoga de Satanás” (Ap 2.9).

O nó continua apertando. Em Esmirna, havia uma grande comunidade judaica que hostilizava fanaticamente o cristianismo. Tal fúria já fora demonstrada no apedrejamento de Estêvão em Jerusalém (At 7). Cheios de ódio, os judeus tramavam agora contra os nascidos de novo. Não satisfeitos, também blasfemavam contra os crentes.

Eles acusavam os cristãos de comerem carne humana, numa referência à Santa Ceia. Acusavam-nos ainda de perversões sexuais por causa do ósculo santo e da ênfase que estes davam ao amor fraternal. Conseqüentemente eram acusados de incesto e orgias sexuais. A Igreja, segundo eles, era ateísta por não adorar a César. Era politicamente infiel. E por requerer absoluta fidelidade a Cristo, era acusada de separar famílias. Mas estes acusadores eram a sinagoga de Satanás, instrumentos do demônio. Usados pelo inferno, faziam oposição ao povo e ao plano de Deus. Da mesma forma, a igreja hoje pode esperar semelhante perseguição, não somente do governo, mas também dos cristãos apóstatas que não passam de sinagogas de Satanás.

O diabo também vai à igreja. Ele diz: “Tenho alguns pregadores, quero ouvi-los falar. Tenho alguns corais, quero ouvi-los cantar. Tenho alguns discípulos com os quais quero compartilhar meus planos”. Há igrejas que não passam de redutos de Satanás. Não pregam o verdadeiro Evangelho. Negam a Escritura, menosprezam a ressurreição de Jesus Cristo. Promovem a licenciosidade. Abandonando a Palavra de Deus, ordenam homossexuais ao ministério cristão. Permitem todo tipo de perversão. Estas sinagogas de Satanás perseguirão em breve a verdadeira Igreja de Deus.

Perseguição Física

Jesus também alertou quando à perseguição que Esmirna haveria de sofrer:

Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados, e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel ate’ a morte, e dar-te-ei a coroa da vida (Ap 2.10).

A questão não era se iriam sofrer. Mas quando e o quanto? Jesus garantiu que mais sofrimento estava por vir. Ele não oferece livramento, mas avisa que o diabo lançaria alguns na prisão. As prisões romanas eram lugares horríveis. Ninguém queria ser lançado nelas. Os presos ou eram mortos pelas autoridades penitenciárias, ou torturados e arremessados às ruas. Ninguém durava muito tempo numa prisão romana.

O governo era muito ocupado para pajear criminosos; nada queria gastar com a sua alimentação. Caso o prisioneiro fosse cristão, a situação piorava. Era mõrto, ou surrado e atirados à rua.

Esmirna sofreu fisicamente! Os oficiais romanos invadiam as casas, e prendiam os crentes diante do olhar aflito de seus familiares. Arrastavam-nos às prisões, fazendo deles público exemplo. Não dissera Jesus que teriam tribulação de dez dias? Alguns eruditos têm especulado sobre estes dez dias. Simbolizam dez perseguições gerais? Ou dez estágios na história da igreja? Para mim, tratam-se de dez dias literais. Afinal, ninguém conseguia permanecer por muito tempo nas celas romanas. Dez dias pareciam dez anos.

Misericordiosamente, o Senhor estabelece limites para nosso sofrimento. A prova não vai além do que podemos suportar. Se o Senhor diz dez dias, não há forças na terra capaz de prolongar-nos o sofrimento. Para os cristãos de Esmirna, Jesus recomenda: “Sê fiel até a morte”. Alguns deles pagariam com a vida o preço de seguir a Cristo. Mesmo em face ao martírio, Jesus é taxativo: “Sê fiel até a morte”.

Se os oficiais romanos viessem até você, e o intimassem: “César ou Cristo?”. Você ficaria com Jesus? A resposta tem de ser sim. Deus nos dará graça para fazer tal confissão. Enquanto isto, permaneçamos fiéis a Ele.

Perseguição Satânica

Finalmente, Jesus dissera que Esmirna enfrentaria perseguição do próprio diabo. Como aqueles cristãos viviam para Cristo, seriam atacados pela sinagoga de Satanás. Estariam em guerra contra o próprio inferno. Decididamente, não lutavam contra a carne, e sim contra os principados, potestades, príncipes das trevas e hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais (Ef 6.11,12). Por trás de toda perseguição, acha-se o próprio Satanás. Por trás do imperador romano, o demônio, que despejava sua fúria contra os crentes. Muitos cristãos foram presos, e outros, condenados à morte.

Estes crentes sofreram, simultaneamente, de cinco maneiras diferentes. Foram atacados política, econômica, religiosa, física e satanicamente. Afinal, como escreve Paulo “todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus, padecerão perseguições” (2 Tm 3.12). Não se engane! Custa caro ser cristão. Nalguns lugares, mais que em outros. Com as pressões do final dos tempos, a perseguição contra a igreja crescerá ainda mais. Por todo o mundo, igrejas e indivíduos serão convocados a sofrer mais que nunca.

Não há repreensão para Esmirna. A outra exceção foi Filadélfia, que também sofria perseguição. A lição é muito clara: a perseguição purifica a igreja! Se o mundo o perseguisse, você jamais amaria as coisas que ele oferece. Caso contrário: haveria de se contaminar com o mundo. Se você fosse trancado numa masmorra romana, você deixaria seu primeiro amor? Provavelmente não. Negligenciaria a oração diante da morte? Não!

Se o mundo o atacasse, você teria problemas em amar outros crentes? Ficaria grato diante da morte? Enfrentemos o fato: não manejamos bem a prosperidade. Basta ligar o rádio para ouvir pregadores da teologia da prosperidade despejando sua descontrolada luxúria. Dizem eles: “Deus fará de você um milionário se tiver fé e confiar nele!”

Todavia, a maior bênção que poderia acontecer à causa de Cristo, atualmente, seria a perseguição. Disse alguém certa vez: “O problema com os crentes de hoje é que ninguém mais quer matá-los. Tal perseguição levar-nos-ia às bases essenciais do que significa ser um genuíno seguidor de Cristo”.

Que conselho Jesus tem para a igreja sofredora? Apenas dois lembretes: “Nada temas” e “Sê fiel até a morte”. E que alguns daqueles cristãos achavam-se amedrontados e perigosamente enfraquecidos. A fórmula para não se temer ao homem é temer a Deus. Tema a Deus e não precisará temer o homem! O temor a Deus começa com a visão de Deus, cultuada com o entendimento de sua impressionante santidade. Submeta-se a sua soberania. Dobre os joelhos diante de sua justiça. Seja consumido pela grandeza divina.

Mais a frente Jesus diz: “Sê fiel até a morte e dar-te-ei a coroa da vida”. Ao enfrentar a morte, os crentes eram encorajados a serem fiéis. Não podiam voltar atrás e negar o nome de Cristo. Nem todos são chamados a ser um mártir. Mas todo discípulo precisa estar pronto a fazer tal sacrifício.

Nossa voluntariedade em morrer por Cristo é a última prova de nossa lealdade a Ele. Não estamos prontos a viver até estarmos prontos a morrer. Crentes que morrem por sua fé em Cristo são recompensados. A coroa da vida os espera. Esta coroa (stephanos, no grego) é o galardão da vitória que recebiam os atletas vencedores. Sua lealdade até a morte trar-lhe-á esta coroa. Eis aqui forte motivação para se permanecer fiel a Cristo. Uma coroa especial está a espera de todo aquele que pagar o último preço por seguir a Cristo. É isto que Deus pede que façamos: “Não temas” e “Sê fiel”.

O Alerta

Apesar da violenta perseguição, os vencedores obterão grande vitória sobre o mundo. Jesus conclui com um alerta para se ouvir e considerar esta mensagem:

Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas (Ap 2.11a).

Todo ouvido precisa estar alerta ao que Jesus diz. São palavras fortes que precisam ser obedecidas. Preste bastante atenção. Guarde bem estas verdades. Mathew Henry escreve: “A evidência clara de nosso amor por Cristo é a obediência às suas leis… o amor é a raiz, e a obediência, o fruto”.

Conta-se que Henrique III, que reinou no século XI, cresceu enfadado da vida da corte e das pressões oriundas da realeza. Por isto, pediu a um monastério que o acolhesse a uma vida de reflexão. Mas o superior do monastério, frei Richard, fez-lhe a seguinte ponderação: “Majestade, estás ciente de que a regra aqui é a obediência? Isto será difícil para um rei”. Henrique III respondeu: “Estou ciente. Pelo resto de minha vida ser-te-ei obediente, já que Cristo é o teu Senhor”.

“Então direi o que deves fazer, volveu-lhe o frei Richard: Volta para o seu trono, e serve fielmente no lugar onde Deus te colocou”. Quando Henrique III morreu, alguém disse: “O rei aprendeu a reinar sendo obediente”.

Também precisamos ser obedientes ao que o Espírito manda que façamos. Seja você contador, professor, mãe ou pai; sirva a Deus onde Ele o colocou.

A Promessa

Para o que ouve e obedece ao que o Espírito diz, Jesus faz esta promessa estarrecedora:

“O que vencer não receberá o dano da segunda morte” (Ap 2.11b).

Todos os verdadeiros cristãos são vencedores (l Jo 5.5). E estes não serão danificados pela segunda morte.

A primeira morte é física; é a separação da alma do corpo. A segunda é espiritual; é a separação da alma da vida eterna. A morte espiritual resulta em eterno tormento no lago de fogo. E a punição eterna (Ap 20.10).

Os verdadeiros cristãos jamais experimentarão a segunda morte. Dizem que, ou nascemos uma vez e morremos duas, ou nascemos duas e morremos uma vez. Mas os cristãos enfrentam a primeira morte sem medo. A segunda não tem poder sobre nós. Podemos visualizar a morte física sem nada temer - mesmo enquanto somos torturados por amor a Cristo - sabendo que ela levar-nos-á mais rapidamente à presença de Deus.

A mensagem à Esmirna é um alerta para que sejamos completamente dedicados a Jesus Cristo, mesmo enfrentando a perseguição e a luta. Enquanto o mundo torna-se escuro, a Igreja há de brilhar. Agora é o tempo de se levantar por Jesus Cristo. Custe o que custar! Destaquemos um homem para enfatizarmos esta verdade. No segundo século, achava-se no pastorado de Esmirna um homem chamado Policarpo que, conforme a história, chegara a conhecer pessoalmente ao apóstolo João, de quem ouviu estas palavras: “Sê fiel até a morte”.

Em 155 d.C., Policarpo foi chamado à presença do procônsul em Esmirna. Este ordenou-lhe, então, que renunciasse a Cristo, e declarasse fidelidade a César. Policarpo respondeu: “Tenho servido ao Senhor Jesus por 86 anos. Ele tem sido fiel a mim. Como posso ser infiel a Ele, e blasfemar contra o nome de meu Salvador?”

O procônsul insistiu: “Jura pelo nome de César, ou te dilacera- rei e alimentarei os animais. O pastor, entretanto, encontrava-se sereno: “Então entrega-me aos animais. Tu não podes mudar-me o coração. Declaro que sou cristão até a morte. Enfurecido, o procônsul condenou o bispo Policarpo sob a alegação de haver este cometido grande traição contra Roma.

Na arena de Esmirna, a multidão achava-se sedenta de sangue. O anticristianismo havia envenenado a cidade. Policarpo foi entregue a turba enfurecida que, não satisfeita, buscava fixá-lo com pregos à pira de madeira. O santo homem não se importa: “Deixai os pregos.

Aquele que me dá forças para suportar as chamas, dar-me-á forças para não recuar do poste. Vós me tratais com o fogo que queima por pouco tempo e é rapidamente extinto. Mas não conheceis o fogo que aguarda os fracos no julgamento vindouro e a punição eterna.

O que estais esperando? Fazei o que quiserdes de mim”. Quando a madeira foi colocada ao redor de seus pés, Policarpo olhou para os céus e disse: “Senhor, Deus Todo-poderoso, Pai do amado Filho, Jesus Cristo, agradeço-te por este dia e por esta hora que me dás. Pois assim, poderei estar entre os mártires que compartilharam do cálice de Cristo. Com eles, ressuscitarei para a vida eterna!”

Ele curvou a cabeça, e disse: “Amém!”, e o fogo o consumiu.

Policarpo foi fiel até a morte. Não temeu o mundo, e sim a

Deus. E grande a sua recompensa no céu.

Que assim possa suceder com você e comigo. Quando a perseguição atingir-nos, não temamos o mundo, mas a Deus, e somente a Deus.

Custe o que custar.





INTRODUÇÃO

“Esmirna” vem de “mirra”, uma erva amarga. Logo, “Esmirna” significa amargura, um nome bem característico para uma igreja que estava enfrentando perseguição. Esmirna foi uma igreja sofredora, perseguida, pobre, caluniada, que enfrentou a própria morte, mas foi uma igreja que só recebeu elogios de Cristo. Aliás, dentre as sete igrejas que receberam cartas, somente duas receberam elogios, a saber, Esmirna e Filadélfia. Sabemos que não há igreja local isenta de imperfeições, mas na carta endereçada à igreja em Esmirna não foram apresentadas pelo Senhor as suas imperfeições. Isso deve nos servir de lição: uma igreja pobre e perseguida não recebeu repreensões do Senhor, mas elogios, não porque era pobre e perseguida, e sim porque era fiel a Jesus. A igreja de Esmirna representa todas as igrejas, em todos os tempos, que sofreram e sofrem agruras por causa do evangelho, da sua fé e fidelidade a Cristo Jesus. Ser cristão em Esmirna representava o risco de perder os bens e a própria vida. A fidelidade até a morte era a marca dessa igreja. Devemos aprender com essa igreja a sermos fiéis a Cristo e aos seus mandamentos.

I. ESMIRNA, UMA IGREJA MÁRTIR

1. Esmirna, uma cidade soberba. “Esmirna era a mais bela cidade da Ásia menor. Era considerada a coroa desse continente. Próspero centro portuário possuía um pitoresco cenário natural. Fazia fronteira com o mar Egeu, sendo ladeada por uma montanha circular chamada Pagos. Nela, havia templos pagãos e edifícios públicos que lhe davam a aparência de una coroa. As ruas bem pavimentadas e delineadas por arvoredos acentuavam-lhe a beleza… Séculos antes, Alexandre, o grande, determinara fazer de Esmirna a cidade-modelo da Grécia. Sua vida cultural florescia. Ela ostentava magnífica um monumento ao seu filho mais ilustre - Homero. Aqui, achava-se também o maior teatro da Ásia. Seu orgulho e beleza estavam gravados em suas moedas…. Todos os deuses eram abertamente adorados em Esmirna. Mas, nesta perversa cidade, havia um pequeno rebanho de Cristo… Em Esmirna não era fácil ser cristão. Muitos eram perseguidos e mortos por sua fé. Ser chamado cristão, aqui, era sobremodo perigoso” (Alerta Final, CPA D, pp. 95 e 96).

Na condição de centro religioso, em Esmirna eram adorados os deuses Cibele, Apolo, Asclépio, Afrodite e Zeus. O culto ao imperador, que incluía a queima de incenso à imagem de César, foi bastante difundido e praticado em Esmirna. Conforme Kistemaker, em 26 d.C. ela dedicou um templo ao imperador Tibério e se gabava de ser a principal no culto ao imperador (KISTEMAKER, Simon. Apocalipse. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, p. 163-164).

“No ano 26 d.C, quando as cidades da Ásia Menor competiam pelo privilégio de construir um templo ao imperador Tibério, Esmirna ganhou de Éfeso”(STOTT, John. O que Cristo pensa da Igreja, p. 29). Para a igreja dessa cidade, Jesus disse: “Sê fiel até a morte”.

Esmirna tinha um estádio onde todos os anos se celebravam jogos atléticos famosos dos quais participavam atletas procedentes de todo o mundo; os jogadores disputavam uma coroa de louros. Para os crentes fiéis dessa cidade, Jesus prometeu a coroa da vida.

2. A igreja em Esmirna. Não há registros específicos da chegada do Evangelho e da fundação da igreja em Esmirna, mas podemos sem problema inferir que ela tenha sido estabelecida por influência dos ensinos de Paulo, quando este esteve em Éfeso por ocasião de sua terceira viagem missionária. Perceba isto analisando o contesto de Atos 19.10: “Durou isto por espaço de dois anos, dando ensejo a que todos os habitantes da Ásia ouvissem a palavra do Senhor Jesus, tanto judeus como gregos”.

Como na grande maioria dos casos, na medida em que foi estabelecida pela pregação do Evangelho, a igreja em Esmirna começou a provocar e a vivenciar algumas tensões, inquietações e desconfortos, que aos poucos se transformou numa violenta e cruel perseguição. Os crentes em Esmirna estavam sendo atacados e mortos. Eles eram forçados a adorar o imperador como se fosse Deus. Segundo relatos históricos, de uma única só vez 1.200 crentes foram lançados do alto do monte Pagos. Em outro momento, lançaram 800 crentes. Os crentes estavam morrendo por causa de sua fé e fidelidade a Deus.

Um dos mais notáveis bispos de Esmirna foi Policarpo (69-155 d.C), que morreu queimado numa fogueira. Diante do carrasco romano, não negou a fé em Cristo. William Hendriksen, assim descreve esse fato: “É possível que Policarpo fosse o bispo da igreja de Esmirna naquele tempo. Era um discípulo de João. Fiel até a morte, esse dedicado líder foi queimado vivo em uma fogueira no ano 155 d.C. Seus algozes pediram-lhe que dissesse: “César é Senhor”, mas ele recusou a fazê-lo. Levado ao estádio, o procônsul instou com ele, dizendo: “Jura, maldiz a Cristo e te porei em liberdade”. Policarpo lhe respondeu: “Sirvo a Cristo há oitenta e seis anos, e ele nunca me fez mal, só o bem. Então como posso maldizer o meu Rei e Salvador?” […]. Depois de ameaçá-lo com feras, o procônsul lhe disse: “Farei que sejas consumido pelo fogo”. Mas Policarpo respondeu: “Tu me ameaças com fogo que queima por uma hora e depois de um pouco se apaga, mas tu és ignorante a respeito do fogo do juízo vindouro e do castigo eterno, reservado para os maus. Mas, por que te demoras? Faze logo o que queres […J”. Assim Policarpo foi queimado vivo em uma pira”(HENDRIKSEN, William. Mas que Vencedores, p. 72-73).

A promessa de Jesus é clara: “O vencedor de modo algum sofrerá a segunda morte” (Ap 2:11). “Podemos enfrentar a morte e até o martírio, mas escaparemos do inferno, que é a segunda morte, e entraremos no céu, que é a coroa da vida. Precisamos ser fiéis até a morte, mas a segunda morte não poderá nos atingir. Podemos perder nossa vida, mas a coroa da vida nos será dada”(Rev. Hernandes Dias Lopes).

3. Esmirna, confessante e mártir. A igreja em Esmirna era confessional e mártir. Diante do martírio foi exortada a ser fiel até a morte (Ap 2:10). Não é apenas fidelidade até o último instante da vida, mas, sobretudo, fidelidade até às últimas conseqüências.

Devemos não apenas viver pela fé, mas, se preciso for, devemos estar prontos para morrer pela fé. O martírio pode ser o cálice amargo que precisaremos beber. Os imperadores romanos, os déspotas e o anticristo podem até matar os crentes, mas estes jamais enfrentarão a morte eterna. Jesus disse: “O que vencer não sofrerá o dano da segunda morte” (Ap 2:11). Jesus está mostrando que não devemos ter medo dos homens. Mesmo que nosso sangue seja derramado; mesmo que selemos nossa fé com nosso sangue; mesmo que os homens nos despojem de todos nossos bens; mesmo que eles nos tirem nossa família e até nossa vida, eles jamais poderão nos roubar a vida eterna.

A salvação é uma dádiva de Deus que jamais poderá ser tirada de nós. Essa salvação é o melhor tesouro, é a pérola de grande valor. Que o digo o destemido apóstolo Paulo: “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia: fomos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor!”(Rm 8:35-39).

II. APRESENTAÇÃO DO MISSIVISTA

Cristo é o missivista. Ele valoriza tanto a Sua igreja que Ele se dá a conhecer no meio dela e não à parte dela. Hoje, muitas pessoas querem Cristo, mas não a igreja. Isso é impossível. A atenção de Cristo está voltada para a Sua igreja. Ela ocupa o centro da Sua atenção.

1. O Primeiro e o Último - “E ao anjo da igreja que está em Esmirna escreve: Isto diz o Primeiro e o Último“(Ap 2:8). Essa expressão aponta para a eternidade de Jesus Cristo. É essencialmente o mesmo que “Alfa e Ômega”, título dado ao Todo-Poderoso Deus (Ap 1:8), que representam a primeira e a última letra do alfabeto grego. Deus é o Alfa (Criador) e Ômega (aquele que faz novos Céus e nova Terra). Ele é Senhor de todos (no passado, presente e futuro), como sugerido pela expressão “que é, que era, e que há de vir” (Ap 2:8). A cidade de Esmirna tinha a pretensão de ser a primeira, mas Jesus diz: “Eu sou o Primeiro e o Último” (Ap 1:17). Jesus é o Criador, Sustentador e Consumador de todas as coisas como o Supremo Juiz (João 5:27; Rm 2:16; 2Tm 4:1). Ele cria, controla, julga e plenifica todas as coisas. Glórias sejam dadas ao seu glorioso nome! Portanto, os que se levantavam contra Esmirna já estavam julgados e condenados, a menos que se arrependessem de suas más obras.

2. Esteve morto e tornou a viver - “… foi morto e reviveu“ (Ap 2:8). Para a igreja de Esmirna, que estava passando pelo sofrimento, perseguição e morte, enfrentando o martírio, Jesus se apresenta como aquele que esteve morto e tornou a viver, mostrando que a morte não é o fim para aqueles que professam o nome do Senhor. O Jesus que venceu a morte é o remédio para alguém que está enfrentando a perseguição e a morte.

III. AS CONDIÇÕES DA IGREJA EM ESMIRNA

1. Tribulação (Ap 2:9,10). Com grande ternura, o Senhor diz a seus santos sofredores que tem pleno conhecimento da sua tribulação: “Eu sei as tuas obras, e tribulação…”(Ap 2:9). A igreja de Esmirna estava atravessando um momento de prova, e o futuro imediato era ainda mais sombrio. A igreja estava sendo espremida debaixo de um rolo compressor. A pressão dos acontecimentos pesava sobre a igreja e a força das circunstâncias procurava forçar a igreja a abandonar sua fé. Mas os cristãos não deviam temer nenhuma das coisas que teriam de sofrer em breve - “Nada temas das coisas que hás de padecer…“(Ap 2:10). Alguns seriam encarcerados e postos à prova por meio de uma tribulação durante dez dias (Ap 2:10). Esse período pode se referir a dez dias literais, a dez perseguições distintas sob os imperadores romanos que antecederam Constantino, ou dez anos de perseguição sob o imperador Diocleciano. Os cristãos, contudo, foram encorajados a ser fiéis até à morte(Ap 2:10), ou seja, a estar dispostos a morrer em vez de renunciar sua fé em Cristo. Receberiam, então, a coroa da vida, a recompensa especial reservada aos mártires.

Somos chamados a ser fiéis até às últimas conseqüências, mesmo em um contexto de hostilidade e perseguição. Hoje, Jesus espera de seu povo fidelidade na vida, no testemunho, na família, nos negócios, na fé. Não venda seu Senhor por dinheiro, como Judas. Não troque seu Senhor, por um prato de lentilhas, como Esaú. Não venda sua consciência por uma barra de ouro, como Acã. Seja fiel a Jesus, ainda que isso lhe custe seu namoro, seu emprego, seu sucesso, sua vida. Jesus diz que aqueles que são perseguidos por causa da justiça são bem-aventurados (Mt 5:10-12). O mundo perseguiu a Jesus e também nos perseguirá.

Cerca de cinqüenta anos depois da carta à igreja de Esmirna, o seu pastor, Policarpo, foi queimado vivo, como mencionei anteriormente. Era um discípulo de João. Fiel até à morte, esse dedicado líder foi queimado vivo em uma fogueira em 23/02/155 d.C. Ele foi apanhado e arrastado para a arena. Historiadores relatam que os judeus colaboraram de bom grado com o martírio de Policarpo. Tentaram intimidá-lo com as feras. Ameaçaram-no com o fogo, mas ele respondeu: “Eu sirvo a Jesus há oitenta e seis anos, e ele sempre me fez bem. Como posso blasfemar contra o meu Salvador e Senhor que me salvou?”. Os inimigos furiosos queimaram-no vivo em uma pira (fogueira onde se queimavam cadáveres), enquanto ele orava e agradecia a Jesus o privilégio de morrer como mártir.

Jesus conhece quem somos e tudo o que acontece conosco (Ap 2:9). Esse fato é fonte de muito conforto. Jesus conhece nossas aflições, porque anda no meio dos candelabros (isto é, no meio das igrejas). Sua presença nunca se afasta. Nosso Senhor não dormita nem dorme. Ele está olhando para você. Ele sabe o que você está passando. Ele conhece sua tribulação. Ele conhece suas lutas. Conhece suas lágrimas. Sabe que diante dos homens você é pobre, mas ele sabe os tesouros que você tem no Céu. Jesus sabe das calúnias que são atribuídas aleivosamente contra você. Conhece o veneno das línguas mortíferas que conspiram contra você. Sabe que somos pobres, mas, ao mesmo tempo, ricos. Sabe que somos entregues à morte, mas, ao mesmo tempo, temos a coroa da vida.

2. Pobreza. Ao contrário da igreja de Laodicéia, que era rica, Esmirna era uma igreja pobre materialmente. O próprio Jesus reconheceu a sua pobreza: “Conheço a tua […] pobreza“(Ap 2:9). A igreja de Esmirna era uma igreja pobre porque os crentes vinham das classes mais baixas. Pobre, também, porque muitos dos membros eram escravos. Pobres, outrossim, porque seus bens eram tomados, saqueados. Pobres, ainda, porque os crentes eram perseguidos e até jogados nas prisões. Pobres, finalmente, porque os crentes não se corrompiam. Era uma igreja espremida, sofrida, acuada. Embora a igreja fosse pobre financeiramente, era rica em recursos espirituais. Não tinha tesouros na terra, mas os tinha no céu. Era pobre diante dos homens, mas rica diante de Deus. A igreja de Laodiceia considerava-se rica, mas Jesus disse que ela era pobre. A igreja de Esmirna era pobre, mas aos olhos de Cristo era rica (Ap 2:9); ela não tinha ouro nem prata na terra, mas tinha tesouros no céu; ela não tinha nada, mas possuía tudo; era desprovida de bens, mas enriquecia a muitos. A riqueza de uma igreja não está na pujança de seu templo, na beleza de seus móveis, na opulência de seu orçamento, na projeção social de seus membros. Enquanto o mundo avalia os homens pelo ter, Jesus os avalia pelo ser. Pedro não tinha nenhuma moeda para dar uma esmola, mas era rico para Deus - “E disse Pedro: Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda”(At 3:6). A viúva pobre deu apenas duas pequenas moedas, mas, aos olhos Jesus de Cristo, deu mais do que as ricas ofertas dos ricos. Portanto, a verdadeira riqueza não é material, mas espiritual, conforme vimos exaustivamente no 1º trimestre de 2012.

3. Ataques dos falsos crentes. Os santos de Esmirna foram alvos de ataques implacáveis dos judeus. Havia uma forte e influente comunidade judaica em Esmirna. Como judeus, afirmavam ser o povo escolhido de Deus, mas, com seu comportamento blasfemo, mostravam que eram “sinagoga de Satanás”(Ap 2:9). Os crentes de Esmirna estavam sendo acusados de coisas graves. Os judeus estavam espalhando falsos rumores sobre os cristãos. As mentes da população de Esmirna estavam sendo envenenadas. O diabo é o acusador. Ele é o pai da mentira. Aqueles que usam a arma das acusações levianas pertencem a “sinagoga de Satanás”. Segundo estudiosos, “os crentes passaram a sofrer várias acusações levianas: (a) canibais - por celebrarem a ceia com o pão e o vinho, símbolos do corpo de Cristo; (b) imorais - por celebrarem a festa do ágape antes da comunhão; (c) separadores de famílias - uma vez que as pessoas que se convertiam a Cristo deixavam suas crenças vãs para servir a Cristo; (d) ateus - por não se dobrarem diante de imagens dos vários deuses; (e) desleais e revolucionários - por se negarem a dizer que César era o Senhor. No século I, os judeus foram os principais inimigos da igreja. Perseguiram a Paulo em Antioquia da Pisídia (At 13:50), em Icônio (At 14:2,5); em Listra, Paulo foi apedrejado (At 14:19). Quando retornou para Jerusalém, os judeus o prenderam no templo e quase o mataram. O livro de Atos termina com Paulo em Roma, sendo perseguido pelos judeus. Eles se consideravam o genuíno povo de Deus, os filhos da promessa, a comunidade da aliança, mas, ao rejeitarem o Messias e perseguirem a igreja de Deus, estavam se transformando em “sinagoga de Satanás”. Quem difama Cristo ou o degrada naqueles que o confessam promove a obra de Satanás e guerreia as guerras de Satanás.

4. Os crentes em prisão - “… Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados”(Ap 2:10). Alguns crentes de Esmirna estavam enfrentando a prisão. A prisão era a ante-sala do túmulo. Os romanos não cuidavam de seus prisioneiros. Normalmente os prisioneiros morriam de fome, de pestilências ou de lepra. Vistas de uma perspectiva mais elevada, as detenções tinham uma outra finalidade: “para que sejais provados“. Os crentes estavam prestes a ser levados à bancada de testes. Deus estava testando a fidelidade dos crentes. Mas Deus é fiel e não permite que sejamos tentados além de nossas forças. Ele supervisiona nosso teste. Em todas os aprisionamentos de cristãos sempre o diabo está por trás. Mas quem realiza seus propósitos é Deus. O fogo das provas só consumirá a escória, só queimará a palha, porém tornará você mais puro, mais digno, mais fiel. Jesus estava peneirando sua igreja para arrancar dela as impurezas. Nosso adversário nos tenta para nos destruir; Jesus nos prova para nos refinar. Precisamos olhar para além da provação, para o glorioso propósito de Jesus. Precisamos olhar para além do castigo, para seu benefício. O rei Davi disse: “Foi bom eu ter sido castigado, para que aprendesse teus decretos” (Sl 119:71). O Senhor não nos poupa da prisão, mas usa a prisão para nos fortalecer. Ele não nos livra da fornalha, mas nos purifica nela. Glórias a Deus!

CONCLUSÃO

A mensagem à Igreja em Esmirna consistia em que os crentes permanecessem fiéis durante as provações, porque Deus estava no controle de tudo e eles poderiam confiar em suas promessas. Jesus nunca disse que se formos fiéis a Ele jamais teremos problemas, sofrimentos ou perseguições. Na verdade, devemos ser fiéis a Ele durante nossos sofrimentos. Somente assim nossa fé poderá se mostrar genuína. Permaneceremos fiéis se conservarmos nosso olhar em Cristo e naquilo que Ele nos promete para esse momento e para o futuro(ver Fp 3:13,14; 2Tm 4:8). Que a igreja de Esmirna nos sirva de exemplo e referencial de fidelidade a Deus, coragem e determinação. […] Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O vencedor de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte. (Ap 2.10c-11).





INTRODUÇÃO

Um dos principais desafios da igreja, em meio à secularização, é confessar Cristo como Senhor. Por causa disso, algumas vezes, um preço alto precisa ser pago, o de enfrentar duras perseguições. Na lição de hoje estudaremos a carta que Cristo endereçou à Igreja de Esmirna, veremos que, tal como aquela, devemos, nos dias atuais, ser fiéis à Palavra de Deus, ainda que sejamos perseguidos.

1. A IGREJA DE ESMIRNA

Esmirna significa myrh, fragrância usada para se fabricar perfume, sua casca exalava uma suave fragrância, como essa igreja, que tinha o cheiro de Cristo (II Co. 1.15-17). Esmirna ficava a aproximadamente cinqüenta e cinco quilômetros ao norte de Éfeso e era um ponto marítimo próspero. Ela disputava com Éfeso o status de ser a principal cidade da Ásia. Esmirna esteve ao lado de Roma antes mesmo desta se tornar um império mundial. Nessa cidade o imperador era cultuado, e, devido ao seu prestígio político, obteve a honra de erigir um templo ao imperador Tibério em 26 d. C. Em 155. d. C., Policarpo, o bispo de Esmirna, foi sacrificado, em um complô entre os judeus e os romanos, que lhe pediram a vida. Antes do seu martírio, confessou sua fé em Cristo com a célebre frase: “Tenho servido ao Senhor Jesus por 86 anos. Ele tem sido fiel a mim. Como posso ser infiel a Ele, e blasfemar contra o nome de meu Salvador?”. Não existem informações a respeito de como a igreja foi fundada naquela cidade, supõe-se que essa tenha sido plantada como resultado dos trabalhos missionários de Paulo na região (At. 19.10). A palavra-chave extraída da carta de Cristo à igreja de Esmirna é sofrimento, tendo em vista que essa, diferentemente de Éfeso, demonstrou seu amor por Cristo, mesmo em meio à tribulação. Como Pedro e João, eles se regozijavam em “de terem sido julgados dignos de sofrer afronta pelo nome de Jesus” (At. 5.41), ciente da bem-aventurança de padecer por amor a Cristo (Mt. 5.11).

2. UMA IGREJA MÁRTIR

Para a Igreja de Esmirna, que estava sofrendo perseguição, Jesus se apresenta como o que foi morto, e reviveu (Ap. 2.8). A essa igreja não é direcionada qualquer repreensão, antes palavras de encorajamento. Ele conhece as suas obras, tribulação e pobreza, principalmente a riqueza espiritual. Jesus se identifica com a igreja que sofre, pois ele mesmo sabe, por experiência - inferimos pelo verbo oida - conheço em grego. Ele sabe da tribulação que a igreja passa, não apenas intelectivamente, mas experiencialmente. A relação política de Esmirna com Roma ensejou dura perseguição contra os cristãos daquela cidade. Aquela era uma igreja atribulada pelo poderio de césar. Essa perseguição política resultava em pobreza, o que geralmente costuma acontecer (Ap. 2.9). A política é algo sério porque implica diretamente na vida das pessoas, posicionamentos governamentais podem favorecer o aumento da pobreza. Em oposição à famigerada teologia da prosperidade, ou melhor, da ganância, Cristo afirma que, mesmo sendo pobres, os crentes de Esmirna eram ricos. A pobreza não é uma maldição, Jesus declara que os pobres são bem-aventurados (Lc. 6.20) e Tiago assegura que Deus escolheu os pobres deste mundo para serem os ricos na fé (Tg. 2.5). Havia uma nítida perseguição religiosa, por parte daqueles que “se dizem judeus e não o são, mas são a sinagoga de Satanás” (Ap. 2.9). Desde o princípio os cristãos sofreram perseguição por parte dos religiosos judeus, Estevão, o primeiro mártir da igreja, fora apedrejado em Jerusalém (At. 7). Os judeus perseguiram Paulo em Antioquia da Psídia (At. 13.50), em Icônio (At. 14.2,5), em Listra (At. 14.19) e em Corinto (At. 18.6).

3. UM CHAMADO À FIDELIDADE

Jesus não prometeu o fim da perseguição, antes encorajou a igreja para que se mantivesse fiel: “nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, e terei uma tribulação de dez dias” (Ap. 2.10). Não sabemos se esses dez dias foram literais, mas devam ter sido difíceis, tendo em vista a força do poderio romano que estava a serviço do diabo. A luta da igreja não é contra a carne e o sangue, isto é, contra pessoas, mas contra os principados, potestades, príncipes das trevas e hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais (Ef. 6.11,12). Existem muitos crentes, nos dias atuais, que estão com medo da perseguição. Mas não devemos temê-la, pior que a perseguição é o esfriamento no qual muitas igrejas se encontram. A perseguição não desvia o cristão, antes purifica a igreja, levando-a a confessar, com ousadia, sua fé em Cristo. Alguns dos crentes de Esmirna estavam assustados, e até amedrontados, pois eram pessoas comuns, por isso as palavras de Jesus “nada temas” e “sê fiel até a morte”. A promessa do Senhor é que aqueles que fossem fiéis, mesmo que tivessem que passar pela morte, receberiam a “coroa da vida”. A primeira morte não deveria ser motivo de pavor para os crentes, já que, como diz a letra de um antigo hino, “não se pode matar um crente”. Não devemos temer aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma, antes temamos Aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma quanto o corpo (Mt. 10.28). Ser evangélico nominal é fácil, difícil mesmo é ser discípulo de Cristo, o que acarretará em perseguição (II Tm. 3.12). Quem quiser ir após o Senhor deve negar a si mesmo, tomar a cruz do discipulado, até a morte, como aconteceu com Dietrich Bonhoeffer, enforcado no campo de concentração na Alemanha, em 1945, por confessar sua fidelidade a Cristo.

CONCLUSÃO

Cristo é o Senhor da Vida, por isso, a morte foi vencido através da Sua ressurreição. Se nos mantivermos fiéis, na vida ou na morte, não sofreremos a segunda morte. Aqueles que não fraquejarem receberão dEle as seguintes palavras: “Vinde, benditos de meu Pai. Possui por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt. 25.34). Sejamos, pois, fiéis, em todas as circunstâncias, e, que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas.



Copie essa postagem para seu Blog:

Seja o primeiro a comentar

Postar um comentário

Leia as regras antes de comentar:
Todos os comentários são lidos e moderados previamente.
São publicados aqueles que respeitão as regras abaixo:

- Seu comentário precisa ter relação com o assunto do post;
- Em hipótese alguma faça propagando de outros blogs ou sites;
- Não inclua links desnecessários no conteudo do seu comentario;
- Sequiser deixar sua URL, comente usando a Opção ID;

OBS: Comentario dos leitores não refletem as opiniões do blog.

Minha lista de blogs

  ©CASAL ABENÇOADO.

INICIO